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de Mídia Independente
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POPULAÇÃO NEGRA - Mulheres Tuesday 19 Nov 2002.
Autor:
Maria Aparecida Silva Bento
sumário
POPULAÇÃO NEGRA - Mulheres Trecho do artigo "Mulheres negras e
branquitude", Maria Aparecida Silva Bento Revista "Faça A Coisa Certa
! O Combate Ao Racismo Em Movimento"
Link:
http://www.alternex.com.br/~ceap/pesquisa.html
No
trabalho, por exemplo, a média nacional em salários mínimos de mulheres negras
era quatro vezes menor do que a de homens brancos (6,3 e 1,7 respectivamente).
A imprensa, ao dar visibilidade a tais desigualdades, tende a negar as análises
e reforçar uma visão que insiste em atribuir as desvantagens experimentadas
pela mulher negra à baixa escolaridade ou ao despreparo profissional. No
entanto, estudos revelam que, entre as décadas de sessenta e oitenta, as
mulheres negras aumentaram 7,33 vezes, seu ingresso no nível de ensino
superior, uma taxa muito maior que a das brancas, cujo aumento foi de 2,53
vezes. Assim, à semelhança do que se observa entre as mulheres brancas, nos
últimos vinte anos, a mulher negra tem investido no seu preparo em todos os
níveis de ensino, porém este investimento tem diferente impacto no seu destino
em relação ao que se observa no caso das mulheres brancas. Estes estudos
constatam que, apesar dos ganhos absolutos em capital humano, persiste o fosso
econômico entre homens e mulheres negras e homens e mulheres brancas. Não
apenas persiste, como tende a aumentar em algumas situações.
Outras pesquisas revelam que controlando-se o segmento que atingiu os níveis
mais elevados de escolaridade (14 anos e mais), o rendimento das mulheres
negras corresponde a 30,5% do rendimento dos homens brancos. O lugar ocupado
pela mulher negra no trabalho evidencia que independentemente do nível
educacional, cores diferentes determinam diferentes ocupações.
Em funções para as quais são exigidos determinados atributos estéticos, como
vendedora, recepcionista e secretária, as brancas e amarelas estão
representadas quatro a cinco vezes mais do que as negras, respectivamente 8,9%,
11 % e 2,2%. Assim, a questão da boa aparência, exigência do mundo do trabalho
para as mulheres em geral, tem significado devastador na trajetória de
trabalhadoras negras, já que o modelo de boa aparência é eurocêntrico.
Desta forma, não só a baixa escolaridade ou o analfabetismo, que ainda
caracterizam um grande contigente de mulheres negras, definem a concentração
destas em atividades manuais. Nos serviços domésticos, as negras estão
representadas quase três vezes mais do que as brancas (32,5 contra 12,7%) e em
atividades como serventes, cozinheiras e lavadeiras/passadeiras, o percentual
para negras é o dobro em relação às brancas (16% contra 7,6%). A forma com que
a trabalhadora negra é representada contribui para que a guetização, que também
atinge a mulher branca, seja em seu caso muito mais depreciativa. E não só no
plano do trabalho ou no educacional observamos essa grande disparidade. Um
importante indicador social das desigualdades entre negras e brancas refere-se
ao direito à vida.
Estudos recentes, com base nos dados coletados pelo censo de 1980, revelam que
crianças filhas de mães negras apresentam índices de mortalidade infantil quase
duas vezes mais alto em relação aos de mães brancas. O Movimento de Mulheres
Negras em São Paulo vem denunciando que em estados como Maranhão, onde
aproximadamente 80% da população é negra, 75% das mulheres em idade reprodutiva
estariam esterilizadas. Este índice cai para 44% em estados de maioria branca,
como o Rio Grande do Sul.
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