14/07/2003 - 16h03

Piora na qualidade do ensino afeta mais estudantes negros, diz MEC

Da Redação

Em São Paulo


Estudo do governo divulgado nesta segunda-feira (14) pelo Ministério da Educação aponta que a queda no desempenho dos estudantes da educação básica brasileira atingiu mais a população negra nos últimos anos.


A conclusão é do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), após estudo da evolução dos resultados do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), entre 1995 e 2001.


Entre 1995 e 2001, a diferença entre as médias escolares de negros e brancos, na prova de língua portuguesa, aumentou de 19,6 para 26,1 pontos. No mesmo período, a diferença, em matemática, passou de 17,1 para 24,9 pontos.


O trabalho mostra que a média obtida pelos alunos brancos da 4ª série do ensino fundamental em língua portuguesa, em 1995, era de 193,4 enquanto dos alunos negros era 173,8. Naquele ano, a diferença era de 19,6 pontos na escala que vai de 125 a 425. Já em 2001, a média entre os brancos foi de 174 e a dos negros de 147,9 -uma diferença de 26,1 pontos.


"Este resultado revela que houve um aprofundamento da desigualdade nos últimos anos entre negros e brancos", disse Carlos Henrique Araújo, diretor de Avaliação da Educação Básica do Inep.


O presidente da Fundação Cultural Palmares, Ubiratan Castro de Araújo, enfatiza que há um "motor" que reproduz a desigualdade racial da sociedade na escola. "Da educação infantil à superior há em todo o sistema de ensino pessoas reproduzindo o racismo de forma automática." Para ele, qualquer ação de enfrentamento da desigualdade racial na educação deve ser acompanhada de políticas de combate ao racismo.


Para João Nogueira, subsecretário Nacional de Promoção da Igualdade Racial, há muito tempo, mesmo sem o conhecimento dos dados, denúncias têm sido feitas com o objetivo de evidenciar essa desigualdade. "Há um pacto de racismo silencioso na sociedade que insiste em não ser quebrado."


Ele acredita que, com o fortalecimento de ações afirmativas em andamento, em cinco ou dez anos será possível ter início a modificação dos resultados escolares.


Panorama na rede particular


O estudo apresentado pelo Inep confirma desigualdade até mesmo na rede privada. Ele aponta que o desempenho dos negros na escola é afetado negativamente pelo racismo.


O estudo mostra que, em língua portuguesa, na 4ª série do ensino fundamental, 67,2% estudantes negros apresentam desempenho classificado como "crítico" ou "muito crítico". Entre os estudantes brancos, esse índice é de 44,3%.


Esta situação pode ser explicada, segundo o MEC, por fatores socioeconômicos da população, como o nível de renda, por exemplo.


No entanto, a análise de desempenho dos estudantes na avaliação, levando em conta a raça, mostra que, mesmo entre estudantes de escolas particulares, portanto com níveis socioeconômicos similares, o desempenho não é igual.


Na 4ª série, em língua portuguesa, alunos negros alcançam uma pontuação de 179 na escala de desempenho do Saeb e os brancos têm 214,9. Em matemática, os negros apresentam pontuação de 189,2 e os brancos de 227,8 pontos.


Segundo Carlos Henrique Araújo, duas hipóteses podem ajudar a entender porque ocorre essa diferença no aproveitamento escolar. A primeira diz respeito à entrada mais tardia dos negros na economia. Isso se reflete em pais e mães com menor escolaridade, por exemplo.


Uma segunda explicação, que não é excludente em relação a primeira, está relacionada ao racismo difuso, ainda presente na sociedade brasileira. "Uma atitude racista, mesmo que inconsciente, afeta a auto-estima dos alunos e reflete-se no desempenho deles. Dentro do sistema de ensino há um aprofundamento da desigualdade".


Essas informações estão sendo discutidas nesta segunda-feira (14) no Ministério da Educação, em Brasília, por técnicos do Saeb e da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura.


Participam das discussões representantes da Secretaria Nacional de Promoção da Igualdade Racial, da Unesco, do Unicef, das secretarias do Ministério da Educação, dos Neabs (Núcleos de Estudo Afro-Brasileiros), vinculados às instituições federais de educação superior, e dos movimentos negros.

 

 

14/07/2003 - 16h04

Quanto mais elevado o nível de ensino, menor o número de alunos negros

Da Redação

Em São Paulo


Dados do questionário-pesquisa do Provão (Exame Nacional de Cursos) de 2002 apontam que, quanto maior o patamar de escolaridade cursado, menor a presença de negros. De 24 áreas avaliadas, 3,1% dos formandos eram negros e 76% declararam-se brancos.


O resultado do Saeb (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), feito entre 1995 e 2001, também aponta para um processo de exclusão escolar que aumenta nos níveis mais altos de escolaridade.


Segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (14) pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), com base no Saeb, 12% dos alunos da 4ª série do ensino fundamental se declararam negros. Na 8ª série, esse índice cai para 8% e, na 3ª série do ensino médio, apenas 6% dos estudantes.


O estudo também apontou que a participação de crianças negras na última série do ensino médio representa a metade da registrada na 1ª série do ensino fundamental.


Ao contrário, os brancos representam 44% dos alunos da 4ª série do ensino fundamental, proporção que aumenta para 54% e 76%, respectivamente, na 8ª série do ensino fundamental e na 3ª série do ensino médio, de acordo com o estudo do Inep.

 

 


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