Espaço Socialista
Publicação
Revolucionária Marxista de Debates
Ano V
– Nº 14 – Abril de 2005.
1. A Recomposição Política da Esquerda no Brasil e os Desafios Colocados
2. Venezuela: Após o fracasso com Lula, Chávez é o novo modelo da Esquerda?
3. Bolívia: Processo revolucionário e Rebelião
4. Juventude: Música e luta ainda caminham de mãos dadas!
5. Um espectro ronda a Faculdade de Direito São Bernardo...
6. Poesia
A Recomposição Política da
Esquerda no Brasil e os Desafios Colocados
É fato que estamos passando
no Brasil por um processo de recomposição ou reorganização das vanguardas dos
movimentos sindicais, estudantis e partidários. As divergências são quanto às
suas causas, ao caráter dessa recomposição e suas contradições. Em conseqüência
há muitas propostas diferentes sobre em qual sentido impulsionar esse processo
e com que propostas organizativas.
A maioria das correntes
ressalta o aspecto mais visível, ou seja, o rompimento de importantes setores
de vanguarda com o PT e a CUT, fruto da completa passagem dessas organizações
para o lado do capital como continuadores da gestão de FHC, implementando até
mais profundamente a mesma política econômica ditada pelo FMI e pelo capital em
geral através das Reformas Previdenciária, Universitária, Sindical,
Trabalhista, etc...
Este aspecto do processo de
ruptura de uma vanguarda mais ligada aos aparatos sindicais e políticos que
busca novas alternativas sindicais, políticas e organizativas é real. Porém,
expressa apenas uma parte da realidade e dos desafios complexos que atravessam
a situação e a consciência dos movimentos de trabalhadores e estudantes.
Ao terem uma compreensão
superficial do problema e das tarefas, essas correntes apresentam de forma
apressada suas organizações e programas acreditando poderem ocupar o espaço à
esquerda deixado pelo PT. Surgem em
cena partidos já constituídos e/ou propostas de novos partidos, sem a
preocupação e a prática de levar a fundo junto com os trabalhadores e
estudantes um balanço e tirar lições dos fatores que levaram à degeneração do
PT e da CUT, o que fazer para que as novas organizações não repitam sua
degeneração e como responder aos desafios atuais que não existiam quando o PT e
a CUT foram fundados.
Analisar os fatores
estruturais que levaram tanto à adaptação do PT e da CUT, quanto ao
enfraquecimento até mesmo dos sindicatos e partidos dirigidos pelos setores da
esquerda, significa em primeiro lugar compreender e elaborar propostas a partir
das mudanças que ocorreram nas duas últimas décadas com a mundialização do
capital, a queda dos regimes do Leste Europeu e a reestruturação produtiva que
alterou as formas de produção e a composição da classe trabalhadora, com
impactos profundos em sua consciência.
É a partir daí que se
sobressaem as maiores debilidades da visão superficial e unilateral da maioria
das correntes de esquerda com conseqüências muito problemáticas para
impulsionar um processo de recomposição que possam de fato fazer frente à nova
realidade, pois todas elas já surgem se auto-intitulando a nova direção
sem que no entanto apresentem respostas realmente efetivas para estes
problemas, a não ser a repetição de velhos chavões abstratos. Isso faz com que
uma grande parcela dos ativistas que romperam com o PT – talvez até a maioria –
relute em participar dos processos políticos orgânicos que aí estão, pois não
enxergam neles nada muito diferente do que já existe.
O mundo mudou e a Esquerda Parou no Tempo
O ponto de vista para
entender o processo atual que vive a classe trabalhadora deve ser objetivo, a
partir da realidade concreta em que vivemos. Não é preciso ser muito esperto,
para percebermos que a classe trabalhadora se encontra numa profunda crise de
alternativas devido, por um lado, às transformações estruturais da economia
(mundialização do capital) e a precarização da sua condição (desemprego,
terceirização, trabalho temporário, etc ) e, por outro lado, à perda total de
referências socialistas trazida pela burocratização histórica da URSS e sua
queda em 1989, fato que foi entendido (infelizmente) pela classe como a morte
do socialismo.
O Brasil sofreu, ainda que
tardiamente – nos anos 90 – as conseqüências desta nova realidade mundial. A
inserção subordinada do país nessa nova realidade trouxe a dependência dos
agiotas externos e a vinculação da indústria ao mercado mundial, com o processo
de fusões e aquisições de empresas transformando a burguesia brasileira em uma
classe sócia-menor do capital imperialista internacional. A economia brasileira
cumpre a função de plataforma de exportações e ao mesmo tempo de mercado para
as grandes transnacionais.
A queda do Leste Europeu
foi a demonstração cabal da falência não apenas da teoria do socialismo num só
país (embora nem na teoria fosse socialismo), mas também da impossibilidade
daquelas economias estatais burocráticas seguirem existindo em base a forças
produtivas nacionais a partir do processo de mundialização - a partir dos anos
80 - das economias imperialistas concorrentes.
O mesmo desenvolvimento da
mundialização do capital, com a concorrência em escala mundial pelos mercados
existentes e a predominância da esfera financeira sobre as demais, desencadeou
um processo de ataques da burguesia imperialista à classe trabalhadora de seus
próprios países, minando de vez também o terreno para as propostas de reformismo
social-democrata que também serviam de referência para setores da esquerda
brasileira.
Assim, a queda das
economias do Leste e a submissão total da social-democracia aos interesses da
maior lucratividade do capital na Europa Ocidental, significou ao mesmo tempo a
falência dos dois principais projetos majoritários que existiam no interior do
PT que eram ou a construção de um Estado Burocrático no Brasil ao estilo do que
existiam no Leste Europeu (não é à toa que havia vários quadros do PT
realizando cursos na Alemanha Oriental quando caiu o Muro de Berlim) ou a
implantação no Brasil de um regime social-democrata de reformas dentro do
capitalismo.
É bom salientar que essa
falência era real e não apenas uma desculpa da direção do PT para mudar de
lado, como muitos afirmavam e ainda afirmam. De repente o PT e a CUT se viram
diante de duas únicas alternativas: 1) adotar uma estratégia de ruptura com o
capital e sua lógica ou 2) partir para uma aceitação total dos seus termos de
funcionamento e interesses capitalistas.
Aí fizeram a diferença os
problemas que já haviam se consolidado no interior do PT, particularmente a
existência de uma burocracia cooptada ao aparelho do estado e dos sindicatos
que se estabelecera no controle do PT e da CUT e que se beneficiava de
privilégios oferecidos pelo estado, em troca de sua resignação ao realismo do
sistema dominante. Obviamente essa burocracia se aproveitou da crise que também
se abateu sobre o movimento dos trabalhadores e da confusão reinante para
justificarem sua escolha de se adaptar e aceitar o sistema capitalista como o
único horizonte viável.
Dessa forma a degeneração
do PT e da CUT não pode ser entendida apenas sob o conceito de traição que, ao
jogar todo o peso na questão moral, deixa de lado tanto o processo rastejante
de burocratização orgânica do PT e da CUT quanto às mudanças da realidade
objetiva que confrontou não apenas as direções do PT e da CUT e os
trabalhadores ao longo dos anos 90, mas inclusive a esquerda socialista como um
todo que também não conseguiu dar respostas à altura.
É inegável que não somente
a direção do PT e da CUT, mas também a esquerda viram acontecer uma crise geral
e profunda dos padrões de luta, organização e estratégia que davam certo nos
anos 80 mas que a partir dos anos 90 não funcionavam mais. Na verdade a crise revelava por um lado a
impotência dos movimentos diante das transformações ocorridas e por outro os dilemas de uma adaptação
anterior de suas organizações e direções às migalhas oferecidas pelo sistema. A
atuação do PT e da CUT passou a lutar para reduzir os impactos negativos da
reestruturação da economia, pregando uma gestão mais eqüitativa e remediadora
dos efeitos injustos do capital pela atuação do estado, proposta que ficou
então conhecida como “humanização do capitalismo”, através das chamadas
“reformas radicais”.
No entanto a realidade é
que a mundialização do capital em sua crise estrutural também acabou com quase
todas as margens para concessões econômicas do sistema aos trabalhadores e
dessa maneira praticamente se extinguiram as possibilidades de qualquer
humanização por menor que seja do capitalismo. Os orçamentos estatais possuem
partes cada vez maiores comprometidas com o pagamento de juros das dívidas
interna e externa aos agiotas internacionais, como o FMI, o que mina as
possibilidades do estado nacional burguês de executar políticas econômicas ou
sociais autônomas e realmente eficientes para a classe trabalhadora. Haja vista
os Programas Fome Zero, Renda Mínima e até mesmo a Reforma Agrária e o salário
mínimo que são um fiasco geral sob o governo Lula que era tido como a grande
esperança para se colocar em prática a proposta de humanização do capitalismo.
Dessa forma, todo o caminho
que o PT trilhou a partir dos anos 90, quando se consolidou em seu interior a
aceitação das premissas do capital, foi um caminho conseqüente com essa
escolha. O papel que cumpre o governo do PT já era antevisto para quem tinha
uma análise minimamente objetiva da história e da conduta do PT nas
administrações estaduais e municipais. No entanto, sempre ficava a desculpa de
que o PT não estava no governo federal e que portanto tinha que se submeter às
diretrizes nacionais. Com a subida de Lula à presidência e a aplicação por
parte do governo de todo um receituário que já havia sido iniciado por FHC, não
é mais possível qualquer desculpa desta.
Acontece que os problemas
sociais colocados como o desemprego, a precarização das condições de trabalho e
o rebaixamento salarial, a Reforma Agrária efetiva e a ruptura com a
subordinação ao FMI apontam imediatamente para a questão central que é a
ruptura com o sistema do capital.
Dado a escolha feita pelo
PT e CUT, as lutas já estão se chocando cada vez mais com essas organizações
como inimigos diretos e declarados dos movimentos dos trabalhadores, o que abre
um processo necessário de recomposição do movimento que traz, é verdade, a
necessidade de novas organizações políticas e sindicais que sejam, no entanto,
a expressão de novas respostas à nova realidade colocada e não simplesmente a
repetição – ainda piorada porque fora de contexto – das velhas práticas já
condenadas.
É preciso ser radical nessa
conclusão sob pena de errar o alvo, identificando o problema apenas na
“traição” do PT fruto de degenerações pessoais ou de grupos, para seguir defendendo
projetos nacional-desenvolvimentistas ou de reformas radicais sem ruptura com o
capital, com o argumento de que com o “seu partido” e o apoio popular tudo dará
certo. Isso levaria à repetição de propostas que se tornaram anacrônicas pela
própria realidade do capitalismo hoje, pois não possuem mais condição real para
serem implementadas dentro dos estreitos limites colocados pelo capital em
crise estrutural.
Destas análises também se
desprendem uma série de desafios que não são encarados pela esquerda, pois há que se notar que a própria esquerda
também sofre desta burocratização de que acusa o PT e a CUT, embora talvez em
menor grau. Sua acomodação à lógica sindical é visível em muitos sindicatos,
CA´s e DCE´s onde se limita à luta imediata, perdendo de vista os limites
estruturais do sistema e sua adaptação aos cargos no parlamento. Isto é notável
para muitos ativistas e militantes que, desanimados se afastam ou nem se
aproximam dessas correntes.
Além de ser afetada pelas
transformações ocorridas, a esquerda também foi e ainda continua sendo vítima
de sua própria recusa em criticar a si própria e admitir seus problemas,
acusando os outros e se autoproclamando como a verdade. Talvez essa seja a
principal debilidade que dificulta se relocalizar na nova realidade da classe
trabalhadora.
A recomposição é contraditória e
mediada pelo ritmo da Luta de Classes
Processos de recomposição
do movimento sempre ocorrem a partir de acontecimentos da luta de classes, que
demonstram a necessidade de ruptura com os caminhos anteriores e a necessidade
de novos. Ao mesmo tempo é na luta de classes que despontam (mesmo que
embrionariamente) as novas formas concretas de
luta e de organização que podem se tornar viáveis e marcar um novo
período de organização e recomposição da vanguarda. O exemplo mais visível no
Brasil foi o próprio nascimento do PT e da CUT que ocorreram junto com as
mobilizações metalúrgicas dos anos 70 e 80 contra a ditadura militar e o
arrocho salarial. Nesse sentido, a tarefa dos revolucionários é de identificar
concretamente as potencialidades e os limites do novo movimento em curso para
intervir e tentar impulsionar os aspectos positivos e combater os negativos.
Primeiro é preciso frisar
que hoje não estamos diante de um ascenso do movimento de massas. A burguesia e
o governo seguem na ofensiva sobre os trabalhadores e as lutas que têm ocorrido
no país são isoladas e muito difíceis, não configurando ainda um ascenso que
desperte o movimento da maioria e apresente um novo padrão definido de luta e
organização. Seguem havendo diversos tipos de lutas em setores sociais
diferentes, expressando níveis de consciência e organização desiguais e até
opostos, como no caso das greves da PM, ou de perueiros.
Assim o processo de
recomposição ocorre de forma muito mais lenta e contraditória, mediada pelos
aparatos existentes que detêm força no movimento apesar de estarem em crise.
Estamos diante de uma realidade muito problemática de lutas atingindo ainda um
setor minoritário, embora importante de ativistas que já percebem a necessidade
prática de buscar um novo caminho frente à total adaptação do PT e CUT aos
interesses e ponto de vista do capital. Esse setor pode crescer, mas isso
depende de dois fatores: 1) o desenvolvimento objetivo da própria luta de
classes e 2) o programa e a política que os revolucionários apresentem, se irão
responder aos novos problemas enfrentados pela classe trabalhadora como o
desemprego, a precarização das condições de trabalho, etc, a dificuldade das
greves que são duríssimas e cada vez mais radicalizadas e a crise das
organizações sindicais em geral e dos partidos.
Os
Desafios Estruturais e Inevitáveis para uma recomposição da Luta, Organização e
Consciência dos Trabalhadores
- As lutas e organizações sindicais devem transcender
os limites de suas lutas específicas sob pena de não conseguirem mais sequer
manter as conquistas que ainda restam. As bandeiras de luta como o combate à
Reforma Trabalhista precisam ser capazes de extrapolar os limites de fábricas,
categoria, e ramo produtivo, no sentido de recolocar propostas como a redução
da jornada de trabalho sem redução dos salários (para 36 horas ou menos), a
correção geral dos salários para todos os trabalhadores, o registro em carteira
para todos, um salário mínimo do DIEESE ou outro índice compatível com as
necessidades mínimas de uma família, a aplicação das verbas necessárias à saúde
e educação públicas, etc.
- As formas de luta devem ser mais unitárias e
simultâneas como paralisações, passeatas, bloqueios, greves gerais com ações de
rua, etc com o objetivo de unir todos os trabalhadores e interferir na produção
e circulação do capital.
- As organizações devem romper seu corporativismo
sintetizando programas e demandas mais amplos, unificando trabalhadores ativos
e desempregados, trabalhadores diretos e terceirizados, estudantes e
professores com comunidade, etc no sentido de um movimento o mais geral e coeso
possível.
- As formas de organizações e decisão dos
trabalhadores devem ser mais horizontais, pautando-se pela máxima democracia
interna, com liberdade de intervenção, discussão, votações e controle dos
cargos necessários, garantindo-se a revogabilidade a qualquer momento e a não
existência de privilégios salariais e econômicos, com rodízio das funções e
órgãos colegiados, compostos em base à proporcionalidade das correntes e
posições políticas existentes, com prestação de contas aos trabalhadores.
- A luta sindical deve se transformar cada vez mais
em luta política no sentido de colocar em discussão na sociedade a necessidade
da ruptura com a lógica do capital e com o Estado capitalista e a necessidade
de outro tipo de sociedade e de poder em que sejam os trabalhadores e suas
organizações que decidam os rumos da sociedade.
- A extensão desse processo à escala mundial com a
coordenação das lutas e organizações de outros países, utilizando-se das
modernas tecnologias de comunicação hoje disponíveis. É preciso refundar a
união mundial dos trabalhadores.
Combate
à Democracia Burguesa
A grande maioria da
esquerda socialista tem dado pouca importância à luta contra a democracia
burguesa. Muitas organizações se adaptaram ao parlamento e capitulam a esta
importante arma da burguesia.
Ao não realizarem esse
combate, às instituições de controle do capitalismo, passam indiretamente ou
diretamente a idéia de que o problema é somente dos políticos e que caso seus
candidatos sejam eleitos, os problemas dos trabalhadores poderão ser
resolvidos. Deixam de alertar que até mesmo pequenas mudanças de política
econômica não podem ser toleradas pelo Estado burguês, neste novo período, de
crise estrutural do capital. Mesmo que por uma combinação muito difícil de
fatores, um candidato socialista se eleger para algum posto executivo, suas
possibilidades de realizar medidas favoráveis aos trabalhadores, como por exemplo
uma queda drástica dos juros, um aumento significativo do salário mínimo, para
não falar da suspensão do pagamento dos juros aos FMI, traria abalos
estruturais, onde a burguesia, através do seu estado iria intervir para
salvaguardar os interesses do capital, se necessário até depondo o governo,
pois hoje há um conjunto de Leis que amarram de antemão a atuação de qualquer
governo (Lei de responsabilidade Fiscal, Autonomia do Banco Central, etc).
A única possibilidade é
então a da ruptura com essa ordem e com esse Estado. Mas para isso, é preciso
que exista um enorme trabalho de agitação, propaganda combinado com a
experiência de luta dos trabalhadores com uma posição categórica de combate e
não de acomodação às instituições, coisa que a maioria das organizações de
esquerda não faz e inclusive colaboram para que a classe continue iludida
acreditando que desta maneira pode melhorar sua condição de vida.
Reconstruir
a Consciência Socialista de Massas da Classe Trabalhadora
Essa reflexão parte do
principio de que não basta que as condições objetivas estejam maduras (já estão
há muito tempo) para a revolução, significa também que é necessário, e de certa
forma determinante, que os trabalhadores e explorados queiram fazer a revolução
e construir uma nova sociedade.
Nesse sentido, as condições
subjetivas não se esgotam na construção de um ou mais partidos revolucionários,
mas exige também que os trabalhadores, enquanto classe, tenham consciência de
que o capital é o seu verdadeiro inimigo. Portanto a subjetividade integra, mas
vai além da construção dos partidos ou organizações revolucionários(as).
Todas as lutas perdem
sentido se não estiverem conscientemente direcionadas para derrubada do
capitalismo sendo capazes de construir, no cotidiano, formas efetivas de
exercício de uma alternativa ao a esse sistema e que possa apontar práticas que
sejam capazes de modificar todos os aspectos da vida social. Assim, ganha
importância decisiva na atuação e intervenção na luta de classes o papel dos
revolucionários de alertar os trabalhadores de que não bastam lutas imediatas e
de buscar impulsioná-las para além dos seus limites específicos. A denúncia e o
combate aos governos, ao parlamento burguês e seu sistema de representação, o
capitalismo, devem estar em lugar de destaque nessa intervenção.
Esse processo tem como
marca registrada a fragmentação política, teórica e organizativa tanto da
classe trabalhadora como das diversas expressões organizativas (partidos,
sindicatos, etc) da vanguarda dos movimentos através da existência de diversas
experiências na forma de centenas de coletivos locais, vários partidos
nacionais e regionais e outras tantas propostas de formar coletivos, frentes,
etc. Em que pese todas as propostas, ainda não surgiu nenhuma que consiga
atrair essas experiências ou mesmo uma parte significativa delas.
As
Propostas atuais de Partidos Revolucionários
A partir do ponto de vista
dos desafios colocados pela realidade é que podemos emitir algum juízo e também
propostas em relação às organizações criadas no último período como substitutas
do PT.
PSTU – Formado em 94 a partir da proposta da ex-CS
(Convergência Socialista) despertou uma certa simpatia em vários agrupamentos
que se organizaram primeiramente em torno da Frente Revolucionária. Como a CS
tinha pressa em formar um Novo Partido a discussão programática sobre os novos
desafios colocados naquele momento (anos 90) ficou de lado e as divergências
existentes entre agrupamentos e a
direção da CS foram subestimadas e deixadas de lado. Conforme os problemas surgiram
frente à luta de classes as divergências vieram à tona e aí o núcleo central da
ex-CS impôs ao partido um rumo que levou a muitas expulsões e divisões, o que
fez com que o potencial de crescimento do PSTU se perdesse com saída de
inúmeros grupos, correntes e militantes individuais.
O principal problema do
PSTU é também o problema da maioria das organizações trotskistas dogmáticas, ou
seja, sua relação muitas vezes autoritária e burocrática com o movimento.
Apesar de ser detentor de uma grande iniciativa, muitas vezes se julga senhor
da verdade o que leva a tentar impor ao movimento ou às outras correntes suas
políticas que muitas vezes são construídas à parte dos trabalhadores e
estudantes, deixando assim de refletir a necessidade concreta das lutas. Este é
um mau presságio pois na hipótese de que venha a conquistar o poder algum
dia...
Internamente o PSTU, como a
maioria das correntes, se caracteriza por uma relação de democracia bastante
formal principalmente entre a base e a direção. Em seus fóruns internos, o
espaço real para divergências e debates, é tolerado até o ponto em que ameacem
o controle da direção sobre a política vigente.
No processo eleitoral de
2004, na busca por melhorar o desempenho eleitoral, o partido se abriu para
candidaturas de outros setores e o resultado foi desastroso, tendo inclusive
que expulsar alguns, como foi o caso do candidato a prefeito de Mauá, que no
segundo turno apoiou o candidato da direita.
Como resposta, agora se
lançam a centralizar o partido (“... {partidos} baseados no funcionamento dos
organismos, nas suas resoluções. Queremos construir partidos disciplinados e
aguerridos...” – Opinião Socialista nº 212). Esse critério, encarado de
maneira formal, tem sido utilizado por vários partidos - portanto, não é patrimônio
do PSTU - primeiro para fazer valer as
decisões dos organismos de direção (os organismos de base só podem discutir
como implementar aquilo que já está decidido pela direção) e depois para
impedir o debate, que é parte fundamental da construção de uma práxis
revolucionária.
Por tudo isso, vemos poucas
chances de que este partido, assim como está hoje, venha a ser uma referência
eficaz para a superação da crise dentro da recomposição da classe. Isso não
significa que os companheiros não sejam combativos e bastante atuantes. As
críticas que fazemos aqui são políticas e não morais. A nosso ver esse partido,
assim como a maioria das organizações de esquerda, deveria passar por um
processo profundo de crítica e reavaliação de suas políticas, formas de ação e
organização para que pudessem obter melhores resultados e contribuir de fato
com o movimento.
PSOL - Surgiu com a expulsão de quatro parlamentares do
PT – chamados radicais – e de uma fusão dos
agrupamentos correspondentes. Despertou certa simpatia em seu início ao
propor a construção de um Novo Partido em que pudessem conviver as várias
tendências em base a uma democracia interna. Formou-se a partir da união de
quatro correntes trotskistas principais, oriundas todas elas de rachas da ex-CS
(citada acima) ou de rachas do PSTU com setores da intelectualidade – Milton
Temer, Ricardo Antunes, entre outros – e agrupamentos menores.
De certa forma, as disputas
surgidas em 90 dentro da ex-CS continuam ocorrendo agora entre esses dois
partidos (PSOL e PSTU), só que de forma mais aberta, pois está em jogo a
“disputa pela influência”. Assim o PSTU dedica à crítica do PSOL partes
importantes de suas publicações, enquanto o PSOL nas últimas eleições, quando
ainda não tinha legenda se recusou a apoiar oficialmente candidaturas do PSTU,
liberando o voto e a campanha de seus militantes para votar em um campo amplo
de candidaturas que permitia o voto no PT, articulação sindical, PC do B, etc.
O programa que unificou
esses diversos setores foi quase o mesmo defendido por Lula na campanha de 2002
abandonando, inclusive, partes do programa do “PT das origens”, o que
representa um problema pois se é verdade que havia pontos mínimos importantes
naquele programa, também é verdade que havia muitas lacunas e problemas. Isso
sem falar que o mundo mudou muito daquele período até hoje...
Outro problema grave do
PSOL foi sua criação a toque de caixa, com quase nenhum tempo para se discutir
o programa e sua proposta particular para o Brasil, nem seu funcionamento
interno. Ficava a promessa de que a discussão ocorreria depois, pois naquele
momento o mais importante era garantir a legalização do partido.
Por conta de tudo isso
permanecia uma dúvida: se esse partido poderia ter um funcionamento diferente
do PSTU, mais democrático e aberto, já que oficialmente não se pautava por um
regime centralista. No entanto, no último Fórum Social Mundial, quando realizou
seu Encontro nacional, sua direção não pensou duas vezes em impor e “enfiar
goela abaixo” um conjunto de resoluções que praticamente definem o caráter do
partido e de seu projeto com fortes traços reformistas, eleitoralistas e de
Frente Popular. Essas resoluções estão disponíveis no site do PSOL para quem
quiser confirmar e foram impostas mesmo sob os protestos de alguns grupos
internos que reivindicavam o direito de que a discussão fosse previamente
realizada na base antes da votação já que as resoluções foram apresentadas para
a discussão e votação (pasmem!) no período da tarde do Encontro Nacional...
Assim, ficou bem nítido que o PSOL possui uma direção e um funcionamento no
mínimo tão burocráticos quanto ao de outros partidos.
Nas resoluções aprovadas no
Encontro Nacional definiu-se o Programa Eleitoral do PSOL e aprovou-se a
deflagração desde já do nome da senadora Heloísa Helena a dois anos das
eleições e o pior, com a abertura nas resoluções da possibilidade de que o PSOL
possa estabelecer negociações, acordos e até coligações com partidos como PDT e
PPS.
O traço mais marcante
atualmente do PSOL é sua sanha em eleger candidatos, o que ameaça consolidar
nesse partido um caráter eleitoralista e de adaptação ao regime democrático
burguês, uma característica lamentável de várias organizações e que se pensava
que no PSOL poderia ser diferente por se afirmar um Novo Partido.
Assim, para quem esperava
que o PSOL trouxesse um novo referencial para o movimento político dos
trabalhadores sofreram e sofrerão muitas decepções, a não ser que passem por um
processo radical de transformação, com a ruptura com as atuais orientações.
Novas
rupturas do PT (“112” e Dissidência)
Outro grupo importante
dentro da atual recomposição política é a Dissidência que se formou pela
iniciativa de grupos de dentro do PT, particularmente rupturas na Articulação
de Esquerda e do Fórum Socialista, etc. Esses setores, estão realizando, embora
um pouco tarde ao nosso ver, um processo de ruptura mais ou menos organizada no
sentido de atrair o máximo possível de ativistas e militantes que estão
rompendo ou já romperam com o PT. Sua proposta é realizar até o meio do ano um
processo de nucleação desta Dissidência (combinando núcleos de estudos de
balanço da falência do PT e da CUT e núcleos de Ação e Reflexão Socialista) com o objetivo do entendimento da
nova realidade da luta de classes e intervenção nos movimentos sindicais e
populares. No meio do ano pretendem realizar um Encontro para decidir que
caminho seguir. Há propostas de um setor para que entrem no PSOL e de outros
que apostem a fundo num processo de reorganização pela base através de núcleos
de formação e organização de base. É uma experiência interessante, não sabemos
para onde vai, mas esperamos que algo novo, de fato, comece a germinar aqui.
Nesse sentido a nossa
proposta, em relação à Dissidência, é criar um espaço de debate programático e
de atuação em comum onde e no quê for possível. Temas como Venezuela, Cuba,
balanço e papel dos sindicatos na atualidade, a crítica e o papel dos
revolucionários nas eleições, dentre outros devem pautar essa relação que
poderá ir se construindo conforme se desenvolvem essas discussões e atuações
concretas na luta de classes. Assim, de nossa parte, há a disposição de
participar de seu encontro nacional e de ajudar a impulsionar núcleos da
Dissidência com companheiros que saíram do PT e os que estão rompendo agora.
De nossa parte, enquanto
Espaço Socialista, julgamos importante acompanhar e dialogar com todas as
iniciativas de recomposição e reorganização política que estão se gestando,
mesmo porque, como dizemos acima, a luta de classes ainda não apontou
categoricamente uma tendência definida e tudo o que temos até agora são
diferentes tipos de apostas tendo todas elementos progressivos mas também
limites, o que ao nosso ver também reflete uma realidade da classe trabalhadora
que é uma realidade complicada e defensiva.
Também julgamos muito
importante que a esquerda esteja se nucleando, se formando e se questionando
juntamente com a intervenção concreta nas lutas e mobilizações e nos processos
de reorganização sindical, política e popular para que desse novo caldo de
cultura e a partir de novos processos de lutas mais decisivos possam surgir
quadros e organizações capazes de juntos com a classe construir alternativas
realmente novas.
Venezuela:
Após o fracasso com Lula,
Chávez é o novo modelo da Esquerda?
Alexandre - Professor
ABC Paulista.
O objetivo deste artigo é
iniciar uma discussão, apenas iniciar... sobre a Venezuela a partir de um ponto
de vista até um tanto provocativo, mas que julgamos importante estabelecer pois
ao nosso ver o debate sobre a Venezuela, principalmente a partir dos rumos do
governo Lula no Brasil e a partir da vinda de Chaves no Fórum Social deste ano
traz sem dúvidas muitas questões polêmicas para serem debatidas por todos que
se colocam numa perspectiva de luta dos trabalhadores e estudantes pelo socialismo.
A partir das Reformas que o
governo Chávez tem levado adiante na Venezuela e nas tentativas de Golpe
realizadas pela burguesia venezuelana com apoio dos EUA, houve um grande setor
da esquerda brasileira e latino-americana que passaram a se referenciar no
líder venezuelano. De uma luta concreta e progressiva antiimperialista, muitos
setores passaram a ver na realidade peculiar da Venezuela o modelo a ser
aplicado na América Latina de conjunto sem atentar para a especificidade do
caso Venezuelano que é o fato da Venezuela ser o quarto maior país produtor de
petróleo do mundo numa situação em que o barril deste importante combustível e
matéria-prima custa 50 dólares.
Isso confere à Venezuela
uma capacidade de inserção no mercado mundial, enquanto durar o petróleo, que
lhe rende uma enorme soma de divisas. O que o governo Chávez fez – e isso foi
muito progressivo sem dúvida – foi tirar da mão da burguesia e da burocracia
diretora da PDVSA (Companhia de Petróleo Estatal Venezuelana) o controle direto
sobre essa massa de valor realizado, colocando-o sob controle do estado e do
governo.
Assim, uma parcela dessas
divisas pôde ser usada para realizar algumas reformas importantes para a
população mais pobre que vivia em condições subumanas e que vinha num processo
de mobilização que ameaçava a ordem no país. Isso foi possível sem que o país
rompesse como o imperialismo norte-americano, pois a Venezuela continua pagando
os juros da dívida externa e exportando petróleo para os EUA. Neste aspecto, o
que Chávez fez foi cortar o vínculo direto da PDVSA com os EUA, demitindo
grande parte da direção da empresa. Assim, o desvio de milhões de dólares que
ocorria para os EUA foi cortado e os EUA também têm que pagar pelo petróleo o
preço de mercado mundial. Essa reação provocou a ira norte-americana que
obviamente teve um prejuízo, ou melhor, deixou de ganhar tanto como antes. Mas
o pior para os EUA foi o significado destes atos que mostraram que é possível e
necessário enfrentar a sanha imperialista dos EUA e lutar pela independência
(mesmo que limitada) frente ao imperialismo coisa que outros governos já
abriram mão totalmente.
Embora o estado venezuelano
mantenha seu caráter de estado burguês com a maioria das instituições
preservadas e funcionando, o controle do estado sobre o dinheiro do petróleo
permitiu que uma parcela dessas divisas pudesse ser usada para realizar algumas
reformas importantes para a população mais pobre que vivia em condições
subumanas e realizava um processo de mobilização que ameaçava a ordem no país.
Isso foi possível sem que o país rompesse como o imperialismo norte-americano,
pois a Venezuela continua pagando os juros da dívida externa e exportando
petróleo para os EUA. Neste aspecto, o que Chávez fez foi cortar o vínculo
direto da PDVSA com os EUA, demitindo grande parte da direção da empresa.
Assim, o desvio de milhões de dólares que ocorria para os EUA foi cortado e os
EUA também têm que pagar pelo petróleo o preço do mercado mundial. Essa reação
provocou a ira norte-americana que deixou de ganhar tanto como antes. Mas o
pior para os EUA foi o significado destes atos que mostraram às massas a
possibilidade de que é possível enfrentar seus interesses imperialistas coisa
que outros governos já abriram mão totalmente. Assim, a Venezuela é hoje um “péssimo
exemplo” para os demais povos da América Latina. Mais do que isso, o temor dos
EUA é de que as mobilizações se radicalizem ainda mais e obriguem Chávez a ir
mais além ou passem por cima dos limites do próprio chavismo.
No entanto, até agora, não
ocorreu uma ruptura de fato com o imperialismo norte-americano, o FMI ou com a
burguesia venezuelana. O que estamos tentando afirmar é que o caso da Venezuela
em que o país conseguiu realizar algumas reformas sem uma ruptura direta
com o imperialismo e com o capital constitui muito mais
uma particularidade da situação Venezuelana - e ainda bastante instável - do
que um modelo reformista que possa ser aplicado em outros países da América
Latina.
No entanto, até agora, não ocorreu uma ruptura de fato com o
imperialismo norte-americano, com o FMI, ou com a burguesia venezuelana. O que
estamos tentando afirmar é que o caso da Venezuela em que o país conseguiu
realizar algumas reformas sem uma ruptura direta com o imperialismo
e com o capital constitui muito mais uma particularidade da
situação Venezuelana do que uma possibilidade colocada para outros países da
América Latina.
No Brasil ou na Argentina,
países que possuem quase todo seu orçamento comprometido com o pagamento dos
juros da dívida externa e interna, torna-se impossível realizar até mesmo
algumas reformas radicais como a Reforma Agrária ou uma elevação substancial do
salário mínimo e dos gastos sociais, sem romper, por exemplo, com o FMI.
A ruptura com o FMI
enquanto medida isolada, no passado poderia ser considerada uma medida
antiimperialista sem ser anticapitalista, já que não questionava, de fato, a
propriedade privada e a lógica capitalista no país – basta lembrar da moratória
no governo Sarney. No entanto, hoje se aplicada num país como o Brasil ou a Argentina,
teria um efeito completamente diferente. De imediato instalar-se-ia uma crise
com a desestabilização do mercado financeiro que levaria à paralisia do país
com a saída em massa de capitais e a paralisia da vida social que, teria que
romper com os pressupostos capitalistas de produção, passando a uma nova lógica
de produção e distribuição, já em ruptura com a lógica do capital ou então
teria que se voltar atrás.
Obviamente que a burguesia
não iria ficar olhando tudo isso acontecer, o que colocaria em questão o
problema do poder e da transformação socialista ou de um golpe militar. É isso
o que queremos dizer quando afirmamos que a mundialização do capitalismo
alterou significativamente os problemas e os desafios colocados para a esquerda
socialista e os trabalhadores.
Essa discussão é muito
importante, pois não podemos vender aos trabalhadores a ilusão de que o modelo
chavista possa simplesmente ser implementado no Brasil ou na Argentina, o que
muitos setores, como, por exemplo, o PSOL e o MST, têm feito e que desarma a
vanguarda e a classe trabalhadora para os enormes desafios colocados que não
podem ser resolvidos apenas através de uma política de reformas e ainda mais
por dentro da institucionalidade burguesa, sob pena de ser derrotada no processo,
como outras vezes já ocorreu, por exemplo, no Chile de Allende.
A única estratégia realista
para fazer frente à nova realidade mundial e da América Latina só pode ser uma
estratégia ruptura com o FMI e o capitalismo, onde a classe trabalhadora assuma
o poder em suas mãos, através de novas instituições, neutralizando e combatendo
a ação da burguesia. Esse objetivo estratégico deve ser reconstruído e
reatualizado diretamente nas lutas dos trabalhadores e estudantes como o maior
desafio da atualidade, coisa que a maioria da esquerda tem esquecido ou
renegado.
Bolívia:
Processo revolucionário e Rebelião
A revolta que toma conta da
Bolívia traz a tona elementos para a discussão – presente em boa parte da
esquerda – do reordenamento teórico, principalmente, por ser junto com a
Venezuela, o principal acontecimento da América latina nesse ano.
Porque não tratamos os
acontecimentos na Bolívia como uma revolução, como faz a maioria das correntes
de esquerda, mas sim como uma rebelião que faz parte de um processo
revolucionário? Nesse caso específico (que são semelhantes a outros que já
ocorreram), as condições objetivas e subjetivas não se encontram a ponto de
desenvolverem formas reais de poder dos e para os trabalhadores. Essa
definição, longe de ser uma questão menor, é decisiva porque influi nas tarefas
estratégicas colocadas para os revolucionários.
Partimos do fato de que a
revolução é um processo sob o qual vai se construindo formas de poder pelos
explorados, novas formas de relacionamento entre a organização dos
revolucionários e os trabalhadores e principalmente quando vai surgindo novas
formas de organização independente dos trabalhadores que expressem uma nova
consciência e demonstre na prática a tese de que a emancipação dos
trabalhadores é obra dos próprios trabalhadores. Nesse processo ocorrem
rebeliões, greves, enfrentamentos e outras ações, ou seja, vai se construindo e
desenvolvendo dialeticamente as condições objetivas e subjetivas necessárias
para o momento mais importante que é a insurreição e a luta pelo poder. Esse
processo revolucionário é caracterizado por ações ofensivas dos trabalhadores e
seu desfecho – tomada do poder ou reação burguesa – vai ser decidido na luta
concreta.
É quando os explorados se
colocam em cena enquanto explorados em luta contra o capital e todas as suas
formas de dominação. Lênin, em A falência da II internacional, explicita
bem essa questão: “...Porque a revolução não surge em toda situação
revolucionária, mas somente nos casos em que a todas alterações objetivas acima
enumeradas vêm juntar-se uma alteração subjetiva, a saber: a capacidade, no que
diz respeito à classe {operária} revolucionária, de conduzir ações
revolucionárias de massa suficientemente vigorosas...”
Assim, a revolução é a
síntese dessas rebeliões, o momento em que todas as condições objetivas e
subjetivas permitem um golpe mortal dos trabalhadores contra seus inimigos.
Durante todo o século XX ocorreram várias rebeliões que, erroneamente, foram
chamadas de revoluções e que pelo fato de não estarem presentes todos os
requisitos – especialmente os subjetivos – não conseguiram completar todas as
tarefas.
Nos apoiamos no fato de que
processos como o Boliviano ainda não reúnem elementos suficientes para atacar o
coração da dominação capitalista: o Estado.
O Estado burguês é uma
totalidade que engloba o judiciário, o parlamento, a ideologia, as forças de
repressão e o governo, elemento este que tem uma importância apenas relativa em
relação aos demais, pois está centrado na figura de uma pessoa e não da instituição
e muito menos do sistema. È uma peça que pode ser sacrificada.
Para falar de uma crise que
caracterize uma impossibilidade da burguesia, enquanto classe, de continuar no
poder é preciso que o conjunto de suas instituições não consiga cumprir o papel
que lhes é destinado, ou seja, que a repressão esteja em crise a ponto de
provocar rebeliões em sua própria base, que as decisões do parlamento não
tenham força ou que sejam ridicularizadas, que o judiciário não tenha
legitimidade perante os trabalhadores e que suas decisões também sejam motivos
de chacotas, enfim que as idéias dominantes na sociedade não sejam as idéias da
burguesia. Esse é um quadro que poderia demonstrar uma crise do sistema. É o
que Lênin chama de impossibilidade da cúpula de viver como outrora.
Não compreender o papel do
Estado no domínio sobre o cotidiano da classe trabalhadora pode significar
menosprezar a força que tem na luta de classes. O Estado, ao se colocar para a
sociedade como o representante dos interesses universais, cumpre um papel
decisivo na dominação burguesa, pois reproduz todos os valores dessa classe
dominante. Assim não podemos falar em revolução se o Estado continua, mesmo que
com contradições, a operar as forças de repressão, do parlamento e outras
tantas.
Deixando claro, não estamos
dizendo que na Bolívia o sono da burguesia continua o mesmo, ao contrário, são
muitos os motivos de preocupação e pesadelo. A luta heróica dos trabalhadores
bolivianos, se quiserem realmente mudar as suas vidas radicalmente, tem tarefas
difíceis pela frente.
Nesse último levante o
governo Carlos Mesa pressionado pelas mobilizações, em busca de respaldo no
parlamento, mandou ao congresso sua carta de renúncia. Prontamente rejeitada
Mesa “atendeu a solicitação” de imediato e voltou ao cargo, mas dessa vez
amparado na unidade de diversos setores da burguesia.
A possibilidade do governo
Carlos Mesa entregar a carta de renúncia, o Parlamento não aceitar e ter tempo
de retornar ao cargo mostra que as instituições do Estado ainda estão em plena
atividade. Foi diferente, por exemplo, na Rússia de fevereiro de 1917 quando o
Czar renuncia e kerensky assume, pois havia mais que a mudança do governo
estava ocorrendo a mudança do regime.
Para a burguesia não custa nada tirar alguém (Collor no Brasil e os
presidentes argentinos em 2002 demonstram isso) para “salvar” a instituição e o
Estado.
Aliás, a burguesia sempre
procurou superar essas crises com a troca de governo e dessa forma focar a
discussão das crises através no “mal administrador”. Como o governo, na figura
de pessoas, não é o centro de decisão, mas apenas o gerente do capitalista as
outras instituições saem ilesas. Marx nas Glosas Críticas Marginais...
nos alerta: “Por isso, a administração deve limitar-se a uma atividade formal e
negativa, uma vez que exatamente lá onde começa a vida civil e o seu trabalho,
cessa o seu poder”.
Outro elemento que também
demonstra a atividade das instituições é o papel das forças armadas e dos
órgãos de repressão. Nas mobilizações de 2003 o saldo foi de mais de 30 pessoas
assassinadas pela polícia somente nas cidades de La Paz e El Alto. Nesse ano
todos os bloqueios e manifestações sofreram repressão por parte desses
aparatos e o próprio exército ficou de
prontidão para intervir no caso das polícias não darem conta do recado.
Recorremos a Marx: “Relê o
último capítulo do meu 18 de Brumário. Afirmo que a revolução em França
deve tentar, antes de tudo, não passar para outras mãos a máquina burocrática e
militar – como se tem feito até aqui - mas quebrá-la. Eis a condição preliminar
para qualquer revolução popular no continente...”. Esse trecho de uma carta a
Kugelmann demonstra perfeitamente o objetivo primeiro para a insurreição.
Por isso pensamos que
tratar os últimos acontecimentos da Bolívia como “revolução” é um equívoco,
pois teria que partir do fato de que a crise política e social teria ganhado
contornos em sua totalidade na dominação, que vai desde as instituições
(parlamento, exército, etc) até o desenvolvimento de uma consciência
revolucionária, que é a subjetividade dos explorados.
Ainda sobre essa concepção
de processo revolucionário acreditamos ser importante ressaltar que todo
processo histórico compreende, nas palavras Andrés Romero, “diversos tempos”
como rebeliões, crises econômicas e políticas do capitalismo, rupturas,
experiências, enfim vários acontecimentos que formam essa totalidade que é o
processo revolucionário. Diante da grande tarefa estratégica revolucionária que
é destruir todas as formas de dominação as rebeliões são uma parte importante do
processo. O momento maior (e não final porque ao “tomar” o poder abre-se uma
série de outras tarefas) de ruptura é o que poderíamos chamar propriamente de
insurreição, ou seja, as vias de fato em que todas as instituições da burguesia
são destruídas ou pelo menos fragilizadas. É o momento da perda de hegemonia
ideológica (onde as idéias dominantes deixam de ser as da burguesia) da classe
dominante e também em que as bases sociais (a legitimidade e a autoridade
burguesa) se diluem no conflito. É o momento em que, nesse processo, são
colocadas tarefas e respostas que vão além daquelas imediatas e que o coração e
a mente do capital são destruídas. É a preparação para um golpe maior sobre o
capital: “O que Marx afirma é que a revolução socialista deve ser comandada,
perpassada pela alma social. E, para ele, muito claramente, alma social
significa a natureza das tarefas essenciais que ela tem que realizar, ou seja,
a dissolução das relações capitalistas de produção e a construção de novas
relações” (Ivo Tonet - revista Crítica Marxista nº 5).
Há uma outra questão que é
a luta ideológica. Já falamos, nas palavras de Marx, que as idéias dominantes
de uma sociedade são as idéias da classe dominante. É essencial entender o
significado dessa idéia. No nosso cotidiano estamos submetidos a um modo de
vida burguês, tudo funciona de acordo com interesses burgueses, ou seja, a
escola, a cultura, os meios de comunicação e tudo mais fica reproduzindo essas
idéias, colocando-as como se fossem naturais e de interesse de toda sociedade.
Tudo isso funciona para uma coisa: justificar as relações de produção
capitalista em que milhões trabalham para o bem estar de poucos.
O processo revolucionário
necessariamente tem que pensar e atuar sobre essas questões, porque uma nova
sociedade também terá que (re)construir suas idéias dominantes, que
evidentemente terá como base uma produção voltada para as necessidade humanas e
que o ato de se libertar da dominação política burguesa deva caminhar no
sentido da emancipação humana.
O que chama a atenção é que
esses conflitos têm sido motivados por questões estruturais da produção
boliviana, como petróleo, gás natural e água. Esse processo mais geral
iniciou-se em Abril de 2000 em Cochabamba com a rebelião e enfrentamentos
violentos contra a privatização da água (que é escassa) em favor da empresa
“Águas del Tunari”. O “segundo” momento desse processo ocorreu entre setembro e
outubro do ano passado e dessa vez a luta era contra a venda de gás natural,
que é uma das últimas riquezas naturais da Bolívia, para o exterior. O
“terceiro” momento foi no início de janeiro desse ano com várias manifestações
pelo país contra o aumento dos combustíveis, sendo retomado em março e ainda
sem um desfecho. O elemento novo desse momento é o papel das direções da COB,
de Evo Morales e outros setores que estão à frente de organizações populares
como a FEJUVE “dando um crédito” para as promessas do presidente Carlos Mesa.
Há também uma outra
contradição que é o surgimento de uma polarização a partir da reivindicação, da
burguesia local, de autonomia regional para Santa Cruz De La Sierra, com apoio
entre os trabalhadores (houve uma manifestação de mais de mais de 200.000
pessoas) e que tem como pano de fundo o controle do gás natural, do petróleo e
os negócios ligados à agricultura, ou seja, abrindo caminho para o controle
mais direto por parte das multinacionais. Nessa localidade “a rebelião” está
sob a direção da burguesia.
Todos esses elementos, para
nós, levam a conclusão de que além de verdadeiro é um dos mais importantes
processos revolucionários na Bolívia, mas também é verdade que há vários
obstáculos a serem superados para estar colocada a tarefa da insurreição e a
luta pelo poder dos trabalhadores.
Bolívia em números: Segundo
dados de 2003 (FSP 17/10/2003):
Habitantes:
8,8 milhões. Aymarás cerca de 25% da população; os quéchuas, 30%; os mestiços,
25%. Os brancos são apenas 10% do total.
Idiomas:
Espanhol e línguas indígenas aymará, quéchua (oficiais), guarani e
tupi-guarani.
Produção principal: Gás, petróleo, ouro, prata, zinco, estanho, tungstênio, bismuto,
enxofre, antimônio, ferro, milho, arroz, cana de açúcar, têxteis, batata,
banana.
Principais forças
políticas:
MAS (Movimiento al socialismo). Braço
político dos cocaleros e principal partido de oposição. Evo Morales, candidato
a presidente em 2002, é o principal dirigente desse partido e dos cocaleros de
Cochabamba. Tem forte presença indígena em suas fileiras sendo que 18 dos 27
deputados são índios. Já os cocaleros estão organizados em 6 federações.
MIP (Movimiento Indigenista Pachakuti) Felipe Quispe
dirigente da CSUTCB. Esta é a principal organização camponesa com forte
presença dos aymarás. Com uma proposta nacionalista tem como tarefa central
acabar com a opressão sobre a maioria indígena e a reconstrução da organização
social aymará.
COB (Central Obrera Boliviana). Com um enfraquecimento
nos últimos anos (em decorrência do fechamento das minas e demissão de mais de
30.000 trabalhadores), ainda tem peso importante na organização dos
trabalhadores industriais e camponeses do país. Referência por décadas de
modelo de organização de massa dos trabalhadores e que congregava conjuntamente
movimento sindical, popular e estudantil. Nesses conflitos Jaime Solares, seu
principal dirigente, tem declarado que neste momento os aspectos mais
importantes são as eleições gerais e a garantia da “democracia” {burguesa}.
Juventude: Música e luta ainda caminham de mãos dadas!
Se os jovens “roqueiros”
brasileiros soubessem da essência de Kurt Cobain e da manifestação antiglobalização
de Seattle não apenas usariam camisetas.
“Era fácil amar o Nirvana
porque, por maior que fosse sua fama e glória, eles sempre pareceram
vira-latas, e o mesmo poderia ser dito em relação a Kurt. Ele iniciou sua vida
artística em um trailer espaçoso copiando ilustrações de Norman Rockwell e
passou a desenvolver um talento para contar histórias que infundiram uma beleza
especial em sua música. Como astro do rock, ele sempre pareceu um desajustado,
mas eu gostava do modo como ele combinava o humor adolescente com a rabugice
dos velhos. Vê-lo em Seattle - o que impossível não faze-lo, com o seu boné
ridículo com abas caindo sobre as orelhas - era ver um personagem de um ramo de
atividade com poucos personagens autênticos”.
Com essas palavras o escritor
estadunidense Charles R. Cross prefacia o seu livro biográfico sobre Kurt
Cobain que é sem dúvida a maior figura do rock do final do século XX.
O Nirvana tomou de assalto
as paradas com sua “Smells like teen spirit” que se tornou a canção mais
conhecida de 1991 nos EUA e seu guitarrista e vocalista era mais um antiastro
do que uma celebridade, recusando-se a entrar em uma limusine para ir à NBC e
conferindo uma sensibilidade frugal a tudo o que fazia.
Diferente dos jovens que
andam vestidos em camisetas com foto do Kurt Cobain sem ter a menor
identificação subjetiva com ele. Kurt Cobain apresentou-se na Saturday Night
Live com as mesmas roupas que vestia nos dias anteriores: um par de tênis
Converse, jeans com grandes buracos nos joelhos, uma camiseta de propaganda de
uma banda desconhecida e um suéter cardigã estilo mister Rogers. Nunca antes na
história da TV ao vivo um artista havia dedicado tão pouco à sua aparência.
Kurt era um homem de
vontade forte, embora contraditoriamente, movido por um vigoroso ato-desprezo e
apesar desse mal-estar consigo mesmo, que deve ter sido um dos principais
fatores para seu suicídio, Kurt sempre era sensível às necessidades e
sofrimentos dos outros, às vezes até excessivamente.
No entanto, sou obrigado a
passar por jovens e adolescentes com
camisetas do Nirvana preocupados somente consigo mesmos, com suas vidinhas e
sem nenhum compromisso em se mexer para mudar essa sociedade burguesa que causa
muitos sofrimentos.
Podemos observar como
através de suas músicas o Nirvana ataca essa sociedade: A canção “In bloom” é
uma crítica às pessoas que escutam a música do Nirvana sem entender o
significado das letras (entre os jovens brasileiros isso deve pesar bastante).
A música “Breed” mostra como é crescer e ficar preso nas arapucas dos valores
da decadente classe média. “Stay away” é um verdadeiro ataque ao conformismo.
“Very ape” ataca o machismo.
Kurt compôs para valer dos
18 aos 27 anos, entre 1985 e o suicídio em 5 de abril de 1994. Tornou-se uma
das principais figuras da história do rock porque expressava o que sentia e
pensava. Imprimia personalidade e passava uma convicção sincera. Sujeita a
enganos, mas sincera. Como foi o seu suicídio, embora um equívoco.
Assim encontramos alguém
que não parecia disposto a fazer média, bajular, falar e agir apenas em bom tom
e boa imagem. Kurt expunha emoções comuns a todos. Mas que devem ser mantidas
sob controle (auto-regulados) no dia-a-dia para que possamos encarar a vida no
mundo burguês, entendendo o significado das letras do mundo, sem estarmos
presos aos valores decadentes, atacando o conformismo e o machismo.
Permanecermos vivos com essa consciência é o primeiro passo para modificarmos
nossas vidas e transformarmos esse submundo num mundo verdadeiramente
socialista.
Carlos
Wellington – Estudante ABC Paulista
Um
espectro ronda a Faculdade de Direito São Bernardo...
... infelizmente é o espectro do oportunismo
político.
No dia 16 de dezembro de 2004 a Câmara de Vereadores de São
Bernardo do Campo aprovou um projeto, de autoria do prefeito William Dib (PPS)
com o apoio de vereadores petistas, que permitiu à Prefeitura apodera-se do
caixa financeiro (cerca de R$ 60 milhões) da Faculdade de Direito de São
Bernardo do Campo.
A Faculdade é uma autarquia municipal que, apesar de não
receber desde a década de 90 um tostão de verba da prefeitura, conseguiu
acumular esse saldo expressivo praticando sucessivos aumentos no valor das
mensalidades pagas pelos estudantes e utilizando o saldo em aplicações no
sistema financeiro.
Apesar de sofrer dura
oposição por parte dos alunos nos últimos três anos, que exigiam prioridade de
investimentos na própria instituição para melhoria da qualidade de ensino e de
sua função como órgão público, a aposta na “rentabilidade fácil com juros
altos” acabou causando um prejuízo de R$ 4 milhões à Faculdade com a quebra
Banco Santos.
A manobra de saquear esse
valor teve como alvo o saneamento das combalidas contas municipais, afetadas
pelo ataque aos cofres públicos no período eleitoral, e permitiu matérias nos
jornais da região sobre um suposto superávit em torno de R$ 5 milhões.
A materialização desse
espectro sofre a resistência dos alunos que estão recorrendo a várias formas de
combate a elitização do ensino superior, inclusive às instâncias jurídicas, como
a Ação Popular impetrada no dia 30 de dezembro (em pleno mês de férias e
festas) para fazer valer a autonomia universitária e para que os recursos
gerados pelos alunos sejam revertidos aos próprios alunos.
Esse golpe não é um ato
isolado, apenas na São Bernardo, mas faz parte da lógica privatista que vai ao
encontro da Reforma Universitária e que vem afetando todas as instituições do
país. (veja o caso da Fundação Santo André).
Resistência e Movimento
Apesar da Faculdade de Direito de
São Bernardo ser uma instituição conservadora, formada e consolidada durante a
ditadura militar, os últimos quatro anos demonstram que novos ventos sopram
também por ali.
A reestruturação produtiva
que abalou o ABC e que contribuiu para a burocratização dos sindicatos e
partidos operários gerou novos eixos de militância para ativistas. Junta-se a
isso o grande empobrecimento de parcelas da classe média que vêem num diploma
superior a única garantia de sobrevivência, numa região cada vez mais assolada
pelo desemprego.
Esses dois fatores
potencializam enfrentamentos num local que, até então, era um “oásis” para as
elites da região que se davam ao luxo de pagar um salário mínimo de
mensalidade.
Mas com a chegada dos
trabalhadores e de seus filhos combinada com o avanço da privatização do ensino
superior e suas conseqüências passaram a elevar paulatinamente os valores pagos
pelos alunos e a reprimir toda iniciativa que signifique democratizar o ensino
e sua administração (impede qualquer tentativa de mudança no regimento da instituição
que conceda eleição direta para direção, paridade nos órgãos colegiados
consultivos e deliberativos, gestão pública do caixa financeiro, somente para
citar alguns exemplos).
No entanto, na própria
Faculdade de Direito vista como um grande pólo conservador os novos ventos
continuam soprando com a aglutinação de ativistas nas lutas cotidianas e na
formação de uma organização de alunos hoje reconhecida com Alternativa
Democrática Pela Luta que através de uma prática horizontal e descentralizada
busca construir o movimento estudantil independente de estar ligado a aparatos
como Centro Acadêmico e UNE além de iniciativas de fomento a cultura com a
criatividade do Sarau da São Bernardo.
Tentando romper com o
isolamento e indo além dos muros da faculdade buscamos a união com as demais
instituições da região (Encontro de Estudantes do ABC – Lutas ABC – com a
presença de alunos da Metodista, IMES, Fundação Santo André e Educafro Diadema)
e que tem como norte potencializar atividades unificadas entre os estudantes
para enfrentar a onda de aumentos das mensalidades.
O caminho é tortuoso, mas
combinando as tarefas políticas e culturais os estudantes esboçam resistência e
novos modelos de organização para o enfrentamento cotidiano.
Marcelo – Aluno da Direito
SBC.
POESIA
Bertolt Brecht
O Vosso tanque General é um carro forte
Derruba uma floresta
Esmaga cem homens,
Mas tem um defeito:
- Precisa de um motorista
O vosso bombardeiro, general é poderoso
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito:
- Precisa de um piloto.
O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar e sabe matar
Mas tem um defeito:
- Sabe pensar.