ESPAÇO SOCIALISTA
Número 6 e-mail: espacosocialista@hotmail.com
IDEOLOGIA
E ELEIÇÃO: INSTRUMENTOS DE DOMINAÇÃO DA BURGUESIA
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O |
funcionamento de nossa sociedade não é algo natural e normal, não
foi sempre assim, as coisas não
funcionam por si só. Tudo que acontece no nosso dia-a-dia e em nossa vida
obedece a uma lógica imposta pela classe dirigente do Estado. O parlamento, a
polícia, o judiciário, a escola são instituições reprodutoras dos valores
burgueses que atuam cotidianamente para nos fazer acreditar que esse poder da
burguesia é legítimo e que devemos aceitá-lo.
O estado burguês garante o seu
poder pela dominação econômica
(apropriação e controle da riqueza produzida pelos trabalhadores), pela
violência (repressão e coação na defesa da propriedade privada) e
principalmente, pela ideologia. Essa ideologia é construída e difundida a todo
o momento, pelos meios de comunicação, pela escola, pela igreja e pelos
partidos políticos institucionalizados. Essa ideologia baseia-se no conceito de
liberdade, igualdade e democracia, desenvolvidos no século XVIII na França,
Inglaterra e Estados Unidos.
Naquela época, essas ideologias eram revolucionárias,
pois serviam como base programática para destruir os restos da sociedade
medieval e instaurar o capitalismo, o que era progressivo para aquela época.
Nos dias de hoje, quando o capitalismo não só deixou de ser progressivo, mas
sua existência ameaça a vida sobre a face da terra, essas idéias servem para
enganar os trabalhadores e limitar suas lutas contra esse sistema.
IGUALDADE
LIBERDADE E A DEMOCRACIA NO CAPITALISMO
Sempre ouvimos que o Brasil é um país em que todos são
iguais, que existe liberdade para todos e que a “nossa” democracia é plena e
consolidada, não havendo nenhuma distinção entre ricos e pobres. Mas será que
realmente somos iguais? Somos iguais a Antônio Ermírio de Morais, a Olavo
Setúbal e a Silvio Santos? Temos as mesmas oportunidades que os filhos desses
senhores? Claro que não! Então, por que insistem em dizer que somos iguais?
Este discurso de igualdade cumpre um papel muito claro
para a ideologia da burguesia, pois desconsidera que vivemos em uma sociedade
burguesa dividida em classes sociais, entre exploradores e explorados, que têm
interesses antagônicos impossíveis de conciliar. Ao insistirem em dizer que
somos todos cidadãos, escondem que há diferenças que não podem ser resolvidas
dentro do capitalismo.
Assim o referencial da luta contra a exploração e
domínio capitalista, da luta pelo fim desse sistema, pela verdadeira igualdade,
liberdade e democracia para a maioria
da sociedade, enfim a luta pelo socialismo é desviada para o beco sem saída da democracia dentro
do capitalismo, quando podemos trocar a cada quatro anos os governantes,
mantendo o sistema intacto.
Para os trabalhadores e explorados a liberdade, igualdade e democracia significam o direito de defender suas opiniões, de participarem diretamente de todas as decisões sobre o destino da sociedade, de decidir o que, como e onde produzir os bens necessários à existência da humanidade. Mas para a burguesia, essas mesmas palavras significam liberdade de explorar os trabalhadores do jeito que lhe parecer melhor, igualdade de oportunidade de ter mais e mais lucros, e a democracia serve para nos iludir para que nos sintamos livres e iguais, mas na realidade não somos.
A
LIBERDADE
Para o capital a liberdade tem caráter de limitação de
direitos. É estabelecido até onde os explorados podem ir. A lei permite fazer
manifestações, mas as autoridades devem ser avisadas para “vigiarem” os
manifestantes, para ver se os limites não foram ultrapassados. É dito que temos
liberdade para escolher onde seremos explorados, mas com o desemprego nem para
isso há liberdade, que podemos contestar e falar o que quiser, desde que a
“honra” dos governantes não seja atingida. Enfim, em toda liberdade há uma
limitação que visa garantir que a propriedade privada e o poder da
burguesia nunca sejam questionados.
Esse é o limite da liberdade na sociedade burguesa: a propriedade privada.
A liberdade no capitalismo é tão limitada que sofre
restrições, pois: “A liberdade de reunião,
incluída nas constituições de todas as repúblicas burguesas é uma fraude porque
quando queremos nos reunir, protegidos do tempo, os melhores edifícios são
propriedade privada” (Lênin, em Como
iludir o povo). Assim há liberdade para os burgueses e seus serviçais.
Liberdade para o capital que atravessa fronteiras, percorrendo o mundo inteiro,
sucateando cada país e cada povo em busca do lucro.
A liberdade sob a dominação capitalista é pura
fantasia e ilusão, uma vez que não podemos sequer defender livremente, através
de nossas lutas, os nossos direitos. A greve é um exemplo de instrumento de
luta que paralisa a produção e a geração do lucro, podendo até questionar a dominação capitalista na
fábrica (como numa ocupação ). Nesse caso a liberdade de fazer greve é limitada
e controlada por lei e pelo “direito” da minoria, que “quer trabalhar”, ignorar a decisão da maioria que decidiu
pela greve. Se resolvemos fazer valer a democracia operária, a real democracia
da maioria, vêm a polícia, a justiça e
a imprensa reprimir e desmoralizar a luta em prol da “liberdade de ir e vir”. A
liberdade na eleição se limita a escolha entre os candidatos que se apresentam
oficialmente e se enquadram nas exigências.
EXISTE
LIBERDADE E IGUALDADE NAS ELEIÇÕES?
Outra premissa importante deste discurso é que nesta
democracia, somos livres para escolher os representantes do “povo” e que
temos liberdade de trocá-los a cada
quatro anos caso não nos agradarem.
Do ponto de vista formal isso acontece. Mas será que
somos realmente livres para escolher ? Será que somos realmente representados?
A resposta é não.
Não há essa liberdade de escolha. Primeiro porque somos obrigados a escolher dentre aqueles
que nos irão explorar e aceitam ser representantes, não do povo, mas dos
grandes empresários. Então que liberdade de escolha existe? Se algum
representante propõe medidas que beneficiam os trabalhadores, algumas vezes é
excluído do sistema, outras vezes não sustenta suas próprias medidas com mobilização dos trabalhadores e
favorece a imposição de derrota sobre
derrota.
Segundo, que os recursos financeiros são somas
milionárias para eleger os representantes dos partidos burgueses. São milhões
de reais para programa na TV, rádio, outdoor e para viagens e comícios.
A própria representação é uma forma de afastar os
trabalhadores do exercício do poder. Ao votar em alguém, estamos lhe dando o
direito de legislar em nosso nome e a nosso favor, o que nunca acontece. Vemos
por anos e anos aqueles em quem votamos , aprovarem leis contra os
trabalhadores ou se enriquecendo, mamando nas tetas do Estado, ou fazendo as
duas coisas ao mesmo tempo.
A DEMOCRACIA
No processo eleitoral, os partidos não colocam as
questões fundamentais da dominação burguesa sobre os trabalhadores e
explorados, mas coincidentemente, concentram sobre o governo os males de toda a
sociedade, de toda fome, miséria, desemprego, etc. Isso é muito fácil de ser
verificado no atual quadro eleitoral, todos os candidatos se limitam a
apresentar propostas que dizem respeito a medidas administrativas, culpando
exclusivamente FHC por ter administrado mal o país e que a economia está mal
gerenciada, etc.
Nós, ao contrário, dizemos que os problemas do país
não estão somente em quem está administrando, mas também e acima de tudo, na
crise do sistema capitalista, que tem origem na exploração e na propriedade
privada e que não é pelo voto que essa realidade vai mudar. Temos que lutar
contra o governo e por melhores condições de vida. Não podemos ter ilusão de que
é possível mudar o sistema via
parlamento e governo. É necessário lutar pelo socialismo.
SOMOS
TODOS CIDADÃOS. E DAÍ?
Na democracia burguesa a ideologia do chamado
“exercício da cidadania” cumpre um papel importante. Essa ideologia cria uma separação entre os homens e sua classe social. Transforma o
trabalhador em apenas um indivíduo sem classe, isento de problemas e
necessidades materiais, como se seus problemas não fossem conseqüências por
pertencer à classe dos que vivem do seu próprio trabalho.
Assim, afasta os trabalhadores da possibilidade de
questionar o sistema. Já que todos são iguais, todos são cidadãos e
responsáveis por aqueles que foram
eleitos para representá-los.
Na democracia dos ricos, o voto elege, não decide.
Quem decide são o FMI e os grandes monopólios da burguesia. O voto é um
mecanismo que dá aos capitalistas e aos seus sócios o “consenso”e legitimidade, outorgados pelo fato do
governo “ter sido eleito” pela “vontade do povo”.
A
VERDADEIRA IGUALDADE, LIBERDADE E DEMOCRACIA : O SOCIALISMO
A verdadeira democracia deve basear-se na igualdade.
Essa por sua vez tem raízes na igualdade social. Sem o fim da propriedade
privada dos meios de produção não é possível haver igualdade. Ao acabar com a
propriedade privada e com a possibilidade de lucro, criaremos uma sociedade em
que todos serão iguais socialmente, baseada no trabalho unicamente. Assim
surgirá uma democracia direta, dos que de fato produzem.
Sem os constrangimentos da propriedade privada e de suas leis, haverá uma real liberdade e serão criadas condições para todos se expressarem e desenvolverem suas potencialidades.
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NESSAS ELEIÇÕES SÓ HÁ UMA OPÇÃO : VOTO NULO
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A |
cada quatro anos o povo brasileiro é chamado
às urnas para votar. A imprensa, a televisão, os partidos políticos dizem a
todo momento que estamos exercendo nossa cidadania, escolhendo nosso futuro,
construindo um Brasil melhor.
Só que, passadas as eleições, contados os votos, vem a
paulada do novo governo eleito. Em 1990 foi o confisco do dinheiro e a
recessão, gerando milhões de desempregados pelo governo Collor. Em 1994 veio o plano Real e o
governo FHC com a sua abertura de mercado e a reforma da constituição com perda
de direitos para os trabalhadores. Em 1998 FHC foi reeleito e, logo em seguida,
desvalorizou o Real, arrochando ainda mais os salários e jogando o país na
crise econômica que estamos até hoje. Será diferente em 2002?
Nós acreditamos que não. Esses senhores que concorrem
para presidente, para governadores, senadores e deputados têm dois objetivos
nessas eleições. O primeiro é, se eleitos, enriquecerem as nossas custas, como
a imensa maioria dos deputados fizeram. Votam projetos que muitas vezes não
beneficiam ninguém a não ser eles mesmos e seus comparsas. Vejam o exemplo da
SUDAM no Pará, do Forum Trabalhista do Lalau em São Paulo para terem uma
pequena idéia do que estamos falando.
Em segundo lugar, defendem e trabalham para a classe
dominante, para os banqueiros, empresários e empreiteiros. Como o capitalismo é
dependente de grandes somas de dinheiros para existir é através dos negócios
com o Estado que ele tem as melhores oportunidades de negócios. Foram os
contratos milionários com o Estado que possibilitaram a certos capitalistas a construção de impérios
como Rede Globo e o Grupo Camargo
Correia.
O Estado é o guardião da ordem e da economia. Através
do Estado a burguesia põe seu sistema para funcionar. É só ver a questão do
chamado mercado financeiro, o governo é o principal pilar de sustentação do tal
mercado, fazendo-o funcionar através de mecanismos de compra e venda de títulos
e de dinheiro, criando uma enorme dívida interna e externa que alimenta os
lucros dos banqueiros nacionais e estrangeiros.
Uma vez no governo, no congresso ou nas assembléias
estaduais, os representantes dos partidos estão preocupados com obras para os empreiteiros ou com
oportunidades de negócios em privatizações.
E não há diferenças
entre os partidos. Seja PMDB, PSDB, PFL, PTB, PPS, PSC, PSL e todos os P. s da vida, são todos farinha
do mesmo saco. Não é a toa que existe troca-troca de partido por parte dos
políticos. Os partidos políticos são cascas vazias, máquinas eleitorais para
servir como caixa-dois de vários candidatos.
Ciro, Garotinho e
Serra: TUDO FARINHA DO MESMO SACO
Um
exemplo do que estamos falando é olhar primeiro os três candidatos Ciro, Serra
e Garotinho.
Serra
não precisa nem falar. Candidato do governo, tem a cara de pau de prometer 8
milhões de empregos. Sendo que o governo do qual ele foi membro gerou um
desemprego de 11 milhões. Descaradamente comprometido com atual programa
econômico.
Ciro,
filiado ao PPS, veio do próprio governo do qual ele se diz oposição, foi um dos
país do plano Real, quando ministro da economia. Hoje se diz oposição por que
foi chutado do governo, por uma briga de interesses. É apoiado, nada menos, por
um dos mentores da política neo liberal mundial ( isso mesmo MUNDIAL) os
economistas da escola de Chicago, na pessoa de Jose Alexandre Scheinkman. No
governo do Ceará, foi apoiado e apoiou os coronéis do estado.
Garotinho,
governador do Rio, responsável por vários esquemas de corrupção e desvio de
dinheiro, reprimiu as lutas dos professores e funcionalismo público. Posa de populista radical ao pior
estilo, como foi Janio Quadros e outros.
Esses
senhores estão todos comprometidos com os planos do FMI e com os empresários.
Qualquer um que seja eleito irá aprofundar a entrega do país e aderir a ALCA
pois, segundo eles, não há nada a fazer a não ser isso.
LULA E O PT NÃO REPRESENTAM MAIS OS TRABALHADORES.
O PT
surgiu nas lutas no início dos anos 80. Como tal , significou uma alternativa para a vanguarda lutadora
surgida no calor das greves. Esse partido foi crescendo, aumentando sua
influência na classe trabalhadora e na sociedade.
Essa
influência foi se traduzindo em cargos nos aparelhos do Estado. Ao mesmo tempo
que foi atraindo para dentro do partido setores médios, conservadores, que
serviram de base para a direção poder modificar o programa e a política do
partido. Com isso o partido foi se transformando, e em 89, o PT se incorporou de vez ao regime democrático
burguês e consolidou- se como partido da ordem. Deixou de ser um partido
operário e passou a ser um partido burguês. Deixou de ser um partido das lutas
e das ocupações de terra para se tornar um partido de conciliação de classe e
de repressão aos trabalhadores . Deixou de ser um partido da base lutadora para
ser um partido de burocratas, carreiristas e de empresários. Essas mudanças
tiveram seu preço. Do partido que propunha uma sociedade socialista para o
partido da sociedade capitalista com rosto humano.
O PT, ao
assumir governos municipais e estaduais
passou a agir como os partidos burgueses. Reprimiu lutas dos funcionários
públicos, arrochou salários, fez inúmeras concessões aos empresários. Está
metido em vários casos de corrupção.
Essa
mudança também aconteceu com seu principal lider, Lula. De dirigente grevista
passou a ser o estadista. De defensor da luta dos trabalhadores passou a
defender os interesses dos empresários. De defensor do não pagamento da dívida
externa, passou a defender os acordos com o FMI e se eleito, manterá o
pagamento da dívida interna e externa. Ou seja, vai continuar fazendo o que FHC
fez nos seus 8 anos de mandato. E mente para o povo quando diz que vai gerar
milhões de emprego. Não tem como gerar empregos sem deixar de pagar os
banqueiros. E Lula já fez a sua opção.
Se
existem ilusões em Lula. Lula já está
dizendo o que vai fazer. Vai continuar pagando a dívida externa, não vai fazer
reforma agrária, vai incentivar a produção ( leia-se empresários) não vai
reajustar o salário dos servidores. Ou seja, votar em Lula, acreditando que ele
vai melhorar a vida dos trabalhadores é uma ilusão.
CAMPANHA DO
PSTU E DO PCO : PRESAS AOS LIMITES DA DEMOCRACIA BURGUESA
A
campanha eleitoral do PSTU tem se pautado por estar a serviço da luta contra a
ALCA e a serviço das lutas dos trabalhadores, como no início do mês de setembro
quando chamou o apoio a luta dos trabalhadores dos Correios. Essas ações são
louváveis visto que ninguém no horário político fez campanha contra a ALCA e o
FMI.
No
entanto a campanha eleitoral do PSTU carece de duas políticas centrais: a
denúncia do regime democrático burguês e da propaganda do socialismo.
Não se
vê, no programa do PSTU, nenhuma referência ao fato das eleições serem cartas
marcadas, de que seja qual for o
partido que vai assumir o governo, ele irá seguir aplicando os planos do FMI e
do pagamento da dívida externa. Não há críticas aos sistema “democrático” com
Câmara e Senado. Não há denuncia de como o poder econômico define as eleições.
Pelo
contrário, parece que, votando no PSTU, ele
resolverá os problemas da classe trabalhadora. E isso é falso. Não é possível
acabar com a miséria da classe somente rompendo com o FMI. É necessário
derrotar o capitalismo. Se imaginarmos a possibilidade de vitória de um governo
que proponha romper com o FMI, o que farão os capitalistas? Então são
necessárias outras medidas, que apontem para o socialismo. E isso a campanha
não diz.
Não há
referências ao problema da Argentina e a necessidade de apoio a luta dos
trabalhadores naquele país. Não mostram as assembléias populares que estão
ocorrendo naquele país, como embriões de poder para a classe trabalhadora no
Brasil e na América Latina. Aliás não há referências às lutas dos trabalhadores
no mundo. Os EUA e a Inglaterra estão atacando o Iraque e não há uma denúncia
sequer!!
Em suma,
a campanha não está centrada em mostrar
a farsa das eleições, em chamar os trabalhadores a confiarem em suas próprias
forças, em se auto organizarem para construir o seu governo. Desse modo, o PSTU
aparece como um partido radical, mas dentro da ordem capitalista.
O
segundo aspecto, lé a total ausência do tema “SOCIALISMO” da campanha. É correto chamar
os trabalhadores a apoiar as lutas, pôr a campanha a serviço das lutas, mas
isso só não basta. Depois da queda do muro de Berlim há uma enorme confusão
sobre o tema socialismo. E o PSTU perde a oportunidade de, diante das câmeras e
de milhões de trabalhadores, falar sobre o socialismo, sobre o auto governo dos trabalhadores. Essa falha faz com que, apesar de ser bem
visto na vanguarda, a campanha do PSTU seja uma campanha limitada a ser ... a ala
esquerda da campanha de Lula.
Ora, se
não estamos por votar na candidatura Lula, por que votar na sua ala esquerda?
Para
nós, a lógica de ser a ala esquerda do PT, mesmo estando fora do PT, não é o
melhor caminho nessas eleições. Essa lógica de querer construir-se como partido
com a ala esquerda do PT faz com que apresente um programa limitado, não focado
nos interesses da classe trabalhadora.
Perde-se a oportunidade de denunciar o regime, de falar do socialismo, de chamar os
trabalhadores a confiarem em suas próprias lutas. Medidas como o apoio a luta
contra a ALCA e a greve dos correios são corretas, mas insuficientes. Não
representam uma ruptura com a ordem. E , em certo sentido, ajuda a reforçar a ordem democrática burguesa,
pois cria a ilusão de democracia, de que todos podem se expressar dentro da
ordem, até os mais radicais.
NESSAS ELEIÇÕES CHAMAMOS A VOTAR NULO
Faz 20 anos que seguimos votando em distintos
candidatos, para diversos cargos. E o que temos recebido em troca? Mais
miséria, mais arrocho, mais violência. Os candidatos e partidos, prometem
mundos e fundos aos trabalhadores, para no dia seguinte implementarem planos
econômicos que só fazem piorar a situação da classe trabalhadora e do povo
explorado. Para dar um basta nessa situação não será através das eleições.
Sendo assim, antes, durante e após as eleições ,
teremos que continuar lutando contra esse sistema. A denúncia das eleições, da
farsa que ela significa faz parte de uma luta maior, de uma luta para que os
trabalhadores tomem seu destino nas próprias mãos, que confiem em suas forças.
Somente assim é que surgirá a possibilidade de mudança real da situação. A luta
pelo socialismo, pelo auto governo dos trabalhadores deve ser levada em todos
os tempos e lugares. Não podemos deixar de, ao lado da campanha contra a ALCA,
falar sobre a necessidade do socialismo. Ao lado das greves, a denúncia dos
partidos burgueses e dos partidos traidores que querem a todo custo, desviar as
lutas para as eleições.
Nesse sentido chamamos a todo povo explorado a não
confiar em partido algum que prometa
que vai resolver, via regime, os problemas da classe trabalhadora. Temos que
confiar somente em nossas forças! Basta de enganação e enrolação! Chamamos a todos a expressar sua repulsa a
esse regime, votando nulo. Não devemos legitimar nossos opressores.
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NÃO VAMOS LEGITIMAR
NOSSOS OPRESSORES! LUTEMOS POR UMA DEMOCRACIA DOS TRABALHADORES!
A
|
s
instituições e a mídia fazem uma campanha massiva para que todos votem e que o
voto pode transformar a nossa vida, ou seja, não é preciso se organizar e
lutar. Nós, ao contrário, dizemos que a nossa vida não será transformada pelo
exercício do voto.
Por isso, além de defendermos o VOTO NULO,
demonstrando nossa revolta com esse jogo de cartas marcadas, também buscamos
construir uma alternativa ao sistema de dominação burguês. Nós, trabalhadores e
explorados, precisamos avançar numa saída para essa situação e acabar com toda
exploração desse sistema que, diante de tanta riqueza, permite que tanta gente
continue morrendo de fome.
REPRESENTANTES? NÃO,
DEMOCRACIA DIRETA!
Contestamos essa forma de representação porque um
pouco mais de 500 “representantes” decidem as coisas em nome de mais de 170
milhões. E são decisões que na maioria das vezes são contra os “representados”.
Defendemos uma forma em que seja a ampla maioria da sociedade que decida o quê,
quando e como fazer as coisas.
É o que chamamos de democracia direta, onde todos
participam de todas as deliberações.
Assim, quando houver problemas como a necessidade de
construção de mais casas, escolas, postos de saúde ou qualquer outra coisa em
um bairro, haverá uma assembléia para discutir onde, como e quando fazer o que
é preciso.
Quando se tratar de assuntos que envolvam um país ou
toda a sociedade (como a proteção da Amazônia, por exemplo), as assembléias se
reúnem, discutem e elegem seus representantes que, reunidos em uma grande
assembléia nacional ou até mundial decidirão o quê e como fazer. Esses
representantes não serão eternos, não terão cargos vitalícios. Seus mandatos
serão limitados, rotativos e controlados, podendo ser cassados a qualquer
momento (em caso de burocratização, corrupção, ou de não representarem
corretamente as decisões tomadas) pela mesma população que o elegeu. Não
receberão salários maiores nem terão quaisquer outros privilégios em relação
aos demais trabalhadores. O importante é que cada assunto seja discutido por
toda sociedade.
Pode parecer pouco, mas é decisivo. Alguma vez o Poder
Público permitiu que o povo decidisse o que fazer em seu bairro, estado, país?
(não nos enganemos com o orçamento participativo, pois este não permite fugir
dos limites impostos pelo Poder Público). Olhe em sua volta e verá que, de tudo
que existe (e o que falta) você sequer foi informado.
Pela democracia direta, os trabalhadores e o povo
oprimido, podem organizar-se como considerem que seja necessário, para debater
e resolver com inteira liberdade questões como saúde, educação, produção,
transporte, ambiente, e tudo o que nos diz respeito.
Numa sociedade socialista mundial, a comunicação via
satélite e outros meios podem ser utilizadas para discutir e adotar soluções
sobre as principais questões mundiais como: acabar com a poluição ambiental,
com o desmatamento sem controle e
extinção de espécies, aliviar a superlotação das grandes cidades, adotar
mais transportes coletivos, etc.
Esse exemplo os trabalhadores e o povo oprimido
argentino já estão nos dando, com as assembléias de vizinhos, piqueteiros e
trabalhadores que ocupam fábricas.
A eleição burguesa e sua forma de representação
procura fazer exatamente o contrário, ou seja, que os trabalhadores não descubram
que podem e devem decidir sobre sua vida. Assim é necessário que comecemos a
desenvolver experiências e, na medida do possível, generalizá-las para
construir uma verdadeira alternativa para os trabalhadores por fora das
instituições oficiais e dos governos da burguesia.
EM VEZ DE ELEIÇÃO,
LUTA DIRETA CONTRA O CAPITAL
É necessário desenvolvermos as lutas pelas nossas
reais necessidades como empregos e salários dignos, moradia, uma educação e uma
saúde públicas e de qualidade, enfim começarmos a questionar essa realidade
injusta e desumana. É possível que as coisas sejam diferentes!
Cabe somente a nós mudar tudo isso. Só através de
nossas próprias ações, de nossa união e organização é que conseguiremos chegar
à vitória. Não adianta esperar pela ajuda de qualquer patrão, governo,
políticos e seus partidos, pois eles dependem que o sistema funcione assim.
Precisamos desenvolver formas de luta a partir de
nossa realidade. É necessário retomarmos a solidariedade da nossa classe que é
tão necessária nesses tempos, apoiando todas as lutas existentes como as
ocupações, as greves, as ações anticapitalistas, etc. Cada atitude contra a
dominação deve ser apoiada e desenvolvida.
Precisamos de novas formas de organização que sejam
democráticas e funcionem independentes dos patrões e dos partidos burgueses e
uma nova consciência capazes de apontar uma alternativa à sociedade
capitalista.
As lutas imediatas (salário, emprego, moradia, etc.)
são extremamente importantes para a construção dessa organização e consciência,
mas a característica do capital globalizado ou mundializado exigem que essas
lutas estejam relacionadas com outras mais gerais, como a luta contra o FMI,
Banco Mundial, Alca, etc. Se o capital tem como principal traço a
mundialização, então, as lutas devem seguir o mesmo caminho, ou seja, devem ser
lutas que envolvam trabalhadores de outros países.
Essas lutas precisam estar direcionadas para a transformação total da sociedade, transformação que só virá com a revolução dos trabalhadores e explorados contra os capitalistas e seus sócios.
CONSTRUAMOS A RESISTÊNCIA GLOBAL!
Para tanto é necessário nos juntarmos às diversas
lutas que ocorrem no mundo, como a luta do povo argentino contra o FMI e o
governo Duhalde, contra a intervenção norte-americana na Colômbia, contra a
guerra imperialista e o genocídio humano, são campanhas importantíssimas para
irmos construindo uma luta global que enfrente o capitalismo mundial.
O sistema de dominação do capital se desenvolveu a tal
ponto que atingiu praticamente todas as esferas da vida humana. A luta contra
esse sistema deve também ser global. É preciso combatermos cotidianamente as
diversas formas de opressão como o machismo, o racismo e o preconceito contra
os homossexuais, desenvolvendo uma
cultura de resistência ao mercado, contra os valores consumistas e imediatistas
que não trazem a felicidade mas apenas a ostentação. Isso tudo no sentido de
estabelecer os embriões de novas relações e novos valores dentro da nossa classe que sejam os pontos
de apoio de uma nova sociedade.
O CAPITALISMO MATA! MATEMOS O CAPITALISMO E CONSTRUAMOS O SOCIALISMO!
A crise do capital não apresenta qualquer perspectiva
de melhoria para os trabalhadores. Ao contrário. O prolongamento da vida desse
sistema está nos levando à barbárie rapidamente, colocando em risco a
existência da espécie humana e até mesmo da vida na terra.
Isso porque o enorme desenvolvimento científico e
técnico que tem havido não está a serviço do bem-estar humano, mas do capital
cuja lógica é o lucro, não importando se isso ocorre através do desemprego e
miséria de milhões, da venda de armas, drogas ou da destruição dos recursos
naturais essenciais à vida..
Não existe qualquer possibilidade de humanizar o
capitalismo pois sua própria essência é
desumana. O capital também não pode ser controlado, pois ele é o próprio modo
de controle social, que não admite rival. Ele precisa ser destruído e superado
pelo Socialismo.
O socialismo que defendemos é o sistema da liberdade,
da igualdade e do fim de toda e qualquer forma de exploração e opressão. Para
nós ainda não existiu socialismo em nenhum lugar do mundo. A Ex-URSS e os
países do Leste Europeu não eram socialistas, muito pelo contrário, eram
ditaduras burocráticas que exploravam e oprimiam os trabalhadores em nome do
socialismo. O que mudava em relação aos países capitalistas é que o capital era
estatal em vez de privado.
Os trabalhadores não tinham o direito de decidir sobre
nada e o Estado reprimia violentamente qualquer reivindicação, mesmo que fosse
por melhores salários e outros direitos. Chegava ao ponto de exigir passaporte
dentro do próprio país.
O socialismo pressupõe que sejam os próprios
trabalhadores, através de suas
organizações, que se apropriem e assumam a gestão coletiva dos meios de
produção e distribuição da riqueza social ( fábricas, terras, bancos,
hipermercados ). A produção social (tudo aquilo que precisamos para viver
dignamente) não estará mais a serviço do lucro e interesses de uma classe
social, mas sim da satisfação das necessidades humanas.
Com o desenvolvimento científico e tecnológico livre
da lógica do lucro e sob controle dos trabalhadores, poderemos dividir o trabalho entre todos, produzindo e tendo
acesso a tudo que necessitamos para uma vida digna. Poderemos trabalhar bem
menos e numa atividade agradável e não mortificante, liberando tempo e energia
para outras atividades como o esporte, as artes, o sexo, o amor, o estudo e o
planejamento da sociedade socialista.
Ninguém poderá usufruir do trabalho de outro.
Enfim, no Socialismo todas as questões sociais serão
resolvidas diretamente pelos que produzem a riqueza social. Será uma democracia
humana, a serviço do bem estar coletivo e da construção de um novo ser humano.