BOLETIM ELETRÔNICO Nº 00

ESPAÇO SOCIALISTA

CONTATO: espacosocialista@hotmail.com

Sumário:

Apresentação

Que perspectiva o capitalismo oferece à humanidade?

É urgente Resgatar e Renovar a Luta pelo Socialismo!

Entre a falência do velho e o não surgimento do novo... o que fazer?

Construir um jornal a serviço do reagrupamento dos revolucionários!

Apresentação

Estamos a um passo do fim do século em que a classe trabalhadora protagonizou gigantescas lutas, buscando libertar-se - e ao conjunto da humanidade - da exploração e da opressão capitalistas. No entanto, o capitalismo sobreviveu e suas características mais degenerativas adquiriram uma proporção imensa e alarmante, colocando em risco a própria existência da espécie humana.

Que perspectiva o capitalismo oferece à humanidade?

A economia mundial, hoje uma realidade indiscutível, desfez o mito das economias nacionais autônomas e, com isso, também a idéia do “socialismo num só país”. Mas, ao invés de abrir condições para uma livre cooperação das atividades entre os povos, essa globalização só ocorreu para os grandes grupos financeiros e industriais, que usufruem de uma liberdade de movimento para a exploração de todos os povos do mundo nunca vista, enquanto amplia-se o abismo entre os países imperialistas e dominados.

O desenvolvimento de novas tecnologias e formas de gerenciamento, que possibilitam um enorme aumento da produtividade e economia de trabalho humano, poderia servir para libertar o homem das longas jornadas e do trabalho perigoso ou repetitivo, liberando-o para outras atividades que permitissem a realização do homem. Mas nas mãos dos empresários, a serviço do lucro, as novas tecnologias são usadas como arma, contra os trabalhadores, para submeter-nos a uma embrutecedora disputa pela sobrevivência: eliminação brutal de empregos, salários cada vez mais baixos e condições de trabalho cada vez piores.

Mesmo no campo científico, grandes descobertas, como a estrutura do código genético, 

poderiam servir para livrar a humanidade de doenças e males centenários, prolongando a expectativa  de vida e melhorando sua qualidade. Mas são usadas pelos grandes grupos de seguro para minimizar seus riscos e aumentar seus lucros, impedindo que a grande maioria tenha acesso e levando a uma situação onde a discriminação genética se adicione às tantas outras já existentes.

Enquanto as grandes empresas juntam-se, numa onda inédita de fusões, para  aumentar seus lucros, milhões e milhões de trabalhadores vão para o olho da rua, sem nenhuma perspectiva.

Os antigos setores de empresários nacionais estão incorporados ao imperialismo e submetidos aos interesses dos grandes grupos econômicos mundiais. Os estados nacionais mudaram o seu papel. De fatores de desenvolvimento econômico no pós-guerra, passaram a ser, nessa etapa, nada menos do que os novos testas-de-ferro dos grupos econômicos mundiais e seus organismos ( FMI, Banco Mundial, BID, ONU, etc ) para atacar as conquistas dos trabalhadores e os seus direitos

O capitalismo está nos levando ao buraco, a um abismo, a um caminho sem volta de fome, miséria, desemprego e barbárie.

A sociedade capitalista está cada vez mais destrutiva, como demonstram os massacres  constantes de populações inteiras, seja através da miséria, de guerras declaradas, ou através das chacinas nas periferias das grandes cidades. Os índices de neuroses são alarmantes. A sociedade perdeu praticamente todas referências de valores humanos. Vivermos uma realidade cada vez mais alienada, desprovida de sentido.

A destruição cada vez mais maior dos recursos naturais (água, ar, solo, florestas) e as epidemias - que se pensava terem sido erradicadas - retomam com força e se alastram com uma velocidade impressionante destruindo as condições para existência da vida no planeta.

É urgente Resgatar e Renovar a Luta pelo Socialismo!

Os trabalhadores e todos os explorados precisam se livrar do domínio da burguesia para que possam dar vazão ao seu potencial criador. DEFENDEMOS O SOCIALISMO como única saída para os trabalhadores e explorados do MUNDO.

Entendemos que qualquer mudança significativa para os trabalhadores, só será possível através de um processo revolucionário, em que estes tomem em suas mãos o destino da sociedade, expropriando a burguesia, tomando o controle das fábricas, terras, bancos, voltando a produção para satisfazer as necessidades dos que vivam do seu trabalho, e não para os interesses de lucro e iniciar a construção de uma nova sociedade, onde todos possam se ver livres da luta permanente pela sobrevivência, enfim um novo homem.

Não entendemos o processo revolucionário como um golpe de meia dúzia de iluminados e sim como um profundo movimento de transformação social, político, cultural e ético, movimento esse que só pode ser realizado pelos próprios trabalhadores e seus organismos democráticos. Aos revolucionários cabe a importante e difícil tarefa de ser parte justamente desse processo e impulsioná-lo.

Não há possibilidade de uma transformação revolucionária da sociedade pela via eleitoral. Qualquer participação em algum processo eleitoral deve ter como primeiro objetivo denunciar as manobras da burguesia para desviar o descontentamento e a luta do povo. Em um processo eleitoral o que determina é o poder do dinheiro, através de campanhas de marketing  milionárias, da compra de votos, em que só a burguesia tem participação ativa.

As eleições burguesas são anti-democráticas, se você votou e não gostou, tem que esperar as próximas eleições. O conjunto das instituições martelam permanentemente em nossas cabeças que não existe saída fora desse jogo de cartas marcadas, onde tudo já está decidido pelos que tem o poder: a classe burguesa.

Entre a falência do velho e o não surgimento do novo... o que fazer? 

Vivemos em uma etapa onde, mais do que nunca, a falta de uma alternativa política e ideológica  tem marcado a vida e as lutas dos trabalhadores.

As mudanças objetivas no interior da classe trabalhadora e as derrotas que esta sofreu em todos estes anos não só diminuíram seu peso numérico na sociedade, mas também a colocaram na defensiva.

A decadência ideológica e política pela qual passam as organizações tradicionais (sindicatos e partidos) fruto de anos de domínio das burocracias stalinista e social democrata, é a outra cara desta moeda.

Por muitos anos, as ditas organizações pactuaram com o capitalismo e iludiram  os trabalhadores com mitos, como o de que era possível reformar ou mesmo coexistir pacificamente com o capitalismo. Hoje, no seu mais alto grau degeneração, passaram de mala e cuia  para o lado da burguesia, fazendo coro de que não há mais alternativa e de que o único caminho é dar ao capitalismo uma “face humana”.

Já as organizações que se proclamam revolucionárias, tem hoje sua prática voltada ou dominada pela luta por cargos nos falidos aparelhos sindicais e nos parlamentos burgueses. Capitulam sistematicamente às direções tradicionais das organizações sindicais e políticas que dominam o movimento operário atual.

Não acreditamos que, nos marcos restritos das organizações atuais, será possível superar este estágio de fragmentação, pois seus modelos tradicionais e dogmáticos não respondem às necessidades de uma nova classe trabalhadora que se forma a partir das modificações econômicas, estruturais, culturais e de seu processo de resistência da última década.

Rejeitamos o modelo monolítico das discussões, da ditadura absoluta da maioria (muitas vezes  formal ) sobre a minoria, tentando disfarçar e jogar para debaixo do tapete as diferenças que existem em todas as organizações e partidos de esquerda, inclusive aquelas que  se reivindicam revolucionárias e que expulsam militantes por diferenças políticas.

A esquerda mundial incorporou (em distintos graus) o método stalinista, de expulsões, de calúnias, de limitar a discussão política e não encaram as polêmicas entre revolucionários e entre os trabalhadores como uma necessidade da revolução. O que seria das internacionais sem as grandes polêmicas travadas por Marx, Engels, Lênin, Trotsky, Rosa Luxemburgo, Gramsci e tantos outros revolucionários que nem sempre concordaram em tudo a todo momento.

O Stalinismo, através de uma falsificação do centralismo democrático, para impor sua traição à classe operária mundial, precisava acabar com toda liberdade de discussão dentro dos partidos, inclusive ameaçando e tirando a vida daqueles que ousassem discordar.

A prática de pequenos grupos, ainda que reagindo contra o reformismo, de se auto-proclamarem e se fecharem em si mesmos, levou à construção de seitas que também não são alternativas que façam avançar a consciência dos trabalhadores e a luta pelo socialismo.

Somente através de um processo constante de reelaboração política, teórica e de prática militante, e de experiências dos próprios trabalhadores será possível uma reconstrução do movimento operário a partir de novas bases políticas, teóricas, ideológicas, éticas e culturais, revertendo assim, o atual estágio de fragmentação.  

A elaboração teórica não deve ser separada da prática revolucionária bem como dos preceitos desta prática: o internacionalismo, a independência de classe, a democracia dos trabalhadores, a solidariedade.

Devemos encarar sem medo discussões que se encontram fossilizadas na esquerda revolucionária tradicional, tais como:

1)             Os sindicatos continuam desempenhando o mesmo papel na organização e luta da classe que desempenhavam até uma década atrás?

2)             A queda do aparato stalinista mundial (89/90) associado às novas formas de produção colocam ou não, na ordem dia, uma rediscussão sobre  o Estado, o papel e as formas do Regime e sobre os Governos?

3)             A forma Russa (preconizada por Lênin) do Centralismo Democrático mantém sua vigência depois de tantas transformações na organização e na composição da classe operária?

Estas são apenas algumas das novas questões de primeira monta, que estão colocadas para os revolucionários neste final de século.

Construir um jornal a serviço do reagrupamento dos revolucionários!  

O que estamos nos propondo, e convidando você a participar, é  ser parte da  luta pela construção de uma NOVA FORMA DE ORGANIZAÇÃO  REVOLUCIONÁRIA, em que as divergências sejam utilizadas para avançarmos nas elaborações  e na formação política de todos os militantes. Mesmo quando exista uma posição majoritária, não significa que a minoria deva se calar.  Nesta Organização, tem que haver espaço para que os revolucionários minoritários possam  defender e experimentar suas posições sempre que reivindicarem, não só para que a prática e o debate franco e aberto eduque a todos, mas também (e fundamentalmente) para que se construa coletivamente o programa e a confiança, necessários e indispensáveis para os momentos revolucionários decisivos, quando da centralização depende a sorte de qualquer revolução.

Acreditamos que o processo de construção da Nova Organização será um processo coletivo, de  profundo balanço da história da esquerda ( de todas as correntes), de experiências, acertos e erros, enfim, através de uma revolução em nossos métodos, de rejeitar a forma em que fomos educados, que tem fortes influências stalinistas. É uma reeducação...

Este jornal tem um objetivo central: ser um instrumento para o reagrupamento dos revolucionários e travar a batalha pela consciência socialista no interior da classe trabalhadora.

Para isso, o jornal tem um caráter aberto e de permanente construção. Trata-se de  uma necessidade para uma nova prática. Somente com a colaboração de todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, estão engajados na luta pelo socialismo é que construiremos, junto com o movimento dos trabalhadores, as respostas necessárias.

Quantos jornais de esquerda você conhece? Você pode opinar, contribuir com as discussões? Ou seu espaço é só o das cartas? Será que existe só uma opinião naquela organização/partido? E a minoria pode se expressar?

Neste novo processo, acreditamos que o espaço para a publicação e a discussão de todas as opiniões que estão no campo da revolução é fundamental, que só tem a contribuir para o avanço e compreensão dessa nova realidade.

Para ajudar a construir essa publicação, o mais importante é que deve ser extremamente democrático, à serviço da revolução e que todas as opiniões (a maioria e a minoria) tenham espaço e que discuta questões teóricas, de política nacional/internacional, propostas, movimento estudantil, negro, operário, etc...

Estamos conscientes da dificuldade, mas também das possibilidades desse projeto. Convidamos você a ousar transformar esse sonho em realidade, fazendo parte dessa experiência.