OS 130 ANOS DA COMUNA DE PARIS
Neste mês de março será recordado em várias partes do mundo os 130 anos da de proclamação da Comuna de Paris. Essa extraordinária experiência histórica é um marco na luta pela emancipação da humanidade de exploração privada da riqueza socialmente produzida. Pela primeira vez a classe operária assumiu o poder, implantando um novo Estado, cumpridor dos desígnios da maioria produtiva. O símbolo da liberdade conquistada foi alçada sob a forma de uma bandeira vermelha.
A França vinha sendo governado desde a derrota da revolução de 1848, por um sobrinho de Napoleão Bonaparte, autonomeado imperador Napoleão III, conhecido por "o pequeno", em contraposição ao "grande" predecessor. A derradeira aventura militar nas qual Napoleão III jogou o povo francês, custou-lhe o trono, acabando ele próprio prisioneiro das tropas alemãs. A vergonhosa capitulação provocou a proclamação da República e a reorganização da Guarda Nacional, formada pelo povo em armas. Mas o governo provisório republicano e a assembléia nacional eleita logo após um acordo com os alemães pretendeu desarmar a Guarda Nacional e impedir a resistência popular ao invasor.
O resultado foi uma insurreição popular conduzida pela Guarda nacional que vitoriosa contra a burguesia francesa e contra o invasor alemão, proclamou a Comuna, governada por uma Conselho Geral de cidadãos eleito por sufrágio universal. A administração pública (burocracia) também passou a ser eletiva e revogável a qualquer momento. Ou seja, o governo e a administração não eram mais que delegados do poder soberano do povo em armas, cujo mandato poderia ser retirado a qualquer momento por decisão dos cidadãos. Note-se que não havia separação entre os poderes legislativo e executivo, esses estavam sob controle direto do povo. As fábricas passaram para as mãos dos trabalhadores que se empenharam na autogestão do processo produtivo, sendo abolida a propriedade privada. A criação de creches e de escolas elementares estiveram entra as primeiras medidas tomadas pelo Conselho Geral Outra medida importante foi a exortação para que toda a França se constituísse numa federação de comunas autogeridas pelos trabalhadores.
Mais que a solidariedade dos trabalhadores de outras partes da França, o exemplo da Comuna aterrorizou a burguesia francesa que chegou a um acordo com o governo alemão, ambos cientes do perigo que representava o exemplo da Comuna para as classes proprietárias de toda a Europa. Assim a França cedeu territórios e comprometeu-se com indenizações para que a Alemanha deixasse livre o apenas derrotado exército francês para partir para a desapiedada repressão a Comuna. Apesar da resistência do povo de Paris diante do exército do Estado burguês, a Comuna caiu em 27 de maio. Mais de 20 mil 'comunards' foram executados nas ruas da cidade e outros 40 mil foram obrigados a partir para o exílio. No entanto a bandeira vermelha da liberdade voltaria a tremular todas as vezes que o movimento operário esteve empenhado na libertação do gênero humano.
Marcos Del Roio
Prof. de Ciências Políticas da FFC-Unesp
(campus de Marília)
Espaço socialista