ESPAÇO
SOCIALISTA
Boletim Nº 13 – Outubro de 2006.
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BANCOS LUCRAM BILHÕES... E
PARA O BANCÁRIO... NADA
Em um país no qual milhões de pessoas
estão submetidas à miséria, ao desemprego, aos péssimos salários, os banqueiros
lucram bilhões (lucratividade média de 40%).
A cada ano seus lucros aumentam às custas da exploração dos trabalhadores
bancários e também às custas da população com a cobrança de taxas caras e
absurdas. No entanto, no momento da campanha salarial, os banqueiros têm a cara
de pau de oferecer 0%. Isso não nos causa nenhuma estranheza, pois os capitalistas
acumulam suas fortunas pela apropriação do trabalho alheio. Nós trabalhamos e
eles ficam ricos. A história tem demonstrado que os interesses dos
trabalhadores e dos patrões são opostos.
Mas, não são só os bancos privados que têm
provocado os trabalhadores, pois os bancos públicos (BB, CEF, etc), apesar da
lucratividade superior a dos privados, vão no rastro dos privados e apresentam
a mesma proposta. Essa situação é muito grave porque parte importante do lucro
desses bancos vai para o Tesouro Nacional e para o pagamento das dívidas
externa e interna.
A primeira conclusão importante é que
tanto os bancos públicos como os privados estão juntos nesse ataque aos
trabalhadores.
APESAR DOS BANQUEIROS, DOS SINDICATOS, DO GOVERNO, DA
CUT, OS BANCÁRIOS RESISTEM E PODEM VENCER
Em uma atitude histórica e heróica os
trabalhadores bancários do país responderam à provocação dos banqueiros e
saíram à greve. O ato heróico dos bancários ganha em tamanho porque também teve
que passar por cima das diretorias sindicais ligadas à CONTRAF/CUT, que fizeram
de tudo para que a greve não saísse e não prejudicasse o seu candidato a
presidente. A direção sindical vinha apostando erroneamente nas negociações
(foram 5 reuniões sem que os banqueiros saíssem do 0%).
Em muitos Estados, bancários deixaram
para trás os dirigentes sindicais e impuseram a greve. A partir da paralisação
dos trabalhadores em vários estados, os banqueiros foram obrigados a apresentar
outra proposta (ainda muito ridícula) de 2,85%. Essa é a prova de que só uma
luta forte e nacional que envolva trabalhadores de bancos públicos e privados
pode dobrar os banqueiros sanguessugas. Essa campanha salarial tem demonstrado
que só a luta pode fazer com que nossas reivindicações sejam atendidas.
Em São Paulo a traição foi ainda mais
criminosa porque, como já dissemos, o sindicato apostou nas negociações e
deixou os bancários do restante do país – que já estavam em greve por tempo
indeterminado há mais de 10 dias – isolados em sua luta. O centro financeiro do
país somente entrou em greve depois de vários dias de paralisação no restante
do país.
A direção do sindicato de SP mais parece representar os banqueiros do que os bancários, ou seja, com uma direção sindical dessas os patrões deitam e rolam.
AMPLIAR
A GREVE PARA TODOS OS BANCOS – PRIVADOS E PÚBLICOS – DE TODAS AS REGIÕES
Todos sabemos da teimosia e
insensibilidade dos banqueiros. Se não for por pressão e mobilização eles não
vão ceder. Negociação sem mobilização não dá em nada.
Como parte da traição da direção do sindicato, os bancários dos bancos
privados estão abandonados à própria sorte. Uma greve bancária, para demonstrar
a sua força, não pode deixar ileso o coração financeiro do país que é a Avenida
Paulista, onde se localizam muitas concentrações importantes e sedes de bancos
que têm funcionado normalmente.
Para incorporar os companheiros dos
bancos privados é necessário a organização de piquetes e passeatas nas agências
desses bancos e a formação de comandos de greve pela base, possibilitando a
participação de trabalhadores nesses comandos. É preciso criar uma política
para os bancos privados, levando em consideração todas as suas debilidades no
que diz respeito à possibilidade de mobilização interna. É preciso colocar em
pauta o direito à estabilidade no emprego, que é na verdade a pedra fundamental
para fortalecer a atuação concreta desses trabalhadores e para que a luta da
categoria siga, de fato, unificada.
CONSTRUIR UMA OPOSIÇÃO FORTE E DEMOCRÁTICA
Para que essa e outras lutas sejam
vitoriosas a organização da Oposição Bancária (MNOB) é fundamental. A
existência de sindicatos comandados por diretorias ligadas à CUT é um entrave
às nossas lutas. Em toda greve se repete sempre a mesma situação: temos que
enfrentar o governo, os banqueiros e também os sindicatos cutistas, ou seja,
até aqueles que supostamente deveriam estar do nosso lado, isto é, os
dirigentes sindicais estão do outro lado da trincheira.
Mas é necessário aperfeiçoar o
funcionamento da Oposição. As decisões devem ser tomadas pelo conjunto dos seus
membros, sem monopólio de nenhum grupo. É preciso que os interesses do
movimento de conjunto estejam acima dos interesses particulares de cada
grupo/partido. Essa é uma lição que temos que tirar dessa experiência da luta
da categoria com suas atuais direções burocráticas cutistas. Ou seja,
precisamos apresentar formas alternativas de organização e de decisão pela
base. Temos que apresentar a Oposição como alternativa de direção à categoria
não só nos momentos de greve, mas durante todos os enfrentamentos cotidianos.
É preciso que a Oposição seja não apenas
um grupo que se coloca contra a direção do sindicato, mas que seja de fato
diferente da direção cutista. Precisamos de uma Oposição democrática, aberta a
todos os trabalhadores bancários, sejam eles independentes ou organizados em
tendências.
Por isso, venha ajudar a construir a Oposição Bancária (MNOB), formado por trabalhadores como você: que não têm rabo preso com os patrões nem com o governo. Em 2004, a Oposição ajudou à construir a greve vitoriosa de trinta dias que o governo, a CUT e os banqueiros tentaram nos derrotar e que nesse momento joga suas forças para impulsionar um COMANDO NACIONAL DE BASE, que coloque os interesses dos bancários em primeiro lugar construindo e fortalecendo uma greve nacional unificada dos bancários de todo o país.
Nós, militantes do Espaço Socialista,
pensamos que essa é uma das muitas formas da Oposição contribuir com a luta dos
bancários.
CONSTRUIR UMA ALTERNATIVA SOCIALISTA
Somos uma organização socialista que luta contra o
capitalismo e todas as suas formas de exploração e opressão (como o machismo, o
racismo, homofobia, etc). Lutamos contra a propriedade privada, construída
graças a apropriação daquilo que os trabalhadores produzem, ou seja, construímos
casas e moramos na favela ou nos cortiços, construímos carros e andamos nos
ônibus lotados e inseguros, enfim, nada daquilo que produzimos pode ser
utilizado para a sociedade. A nossa categoria é um bom exemplo de como é o
capitalismo: milhões nada têm e poucos detêm a riqueza produzida.
Também lutamos pela estatização de todo o sistema
financeiro com controle dos trabalhadores, de forma que possamos financiar a
pequenas taxas de juros a construção de casas para os trabalhadores, escolas,
hospitais, etc. Mas para isso é necessário derrotar os capitalistas que nunca
vão querer largar esse filé.
VOTO NULO NELES!
No 2º turno dessa eleição também defendemos o VOTO
NULO porque os dois candidatos já deram mostras que governam para os ricos e
banqueiros. Para os pobres sobram as migalhas, como bolsa-escola e outros
tantos programas assistenciais.
A burguesia está muito bem servida nessas
eleições. De um lado, ela tem Alckmin, o candidato Daslu/Opus Dei, com um
programa neoliberal agressivo. Do outro, ela tem Lula, o operário padrão do
imperialismo, que também implanta o neoliberalismo (vide reforma da
previdência). Outro importante serviço que Lula presta aos patrões (industriais
e banqueiros) é o controle sobre as organizações do movimento social (CUT, UNE,
MST, etc.). Não dá para escolher entre o ruim e o pior. Na realidade, não há
voto útil.
Só a luta muda a vida! Lutar é preciso,
votar não é preciso! Nossos sonhos não cabem nas urnas!
Se você quer conhecer o conjunto das nossas
propostas entre em contato com o ESPAÇO SOCIALISTA.
Espaço socialista