BOLETIM DO ESPAÇO SOCIALISTA
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Outubro
¿QUÉ PASA EN BOLIVIA? O quê motivou a rebeldia na Bolívia? Como se organizou a rebeldia?
A renúncia de GOZALO SÁNCHEZ DE LOZADA será capaz de resolver a crise boliviana?
Apesar
da oligarquia boliviana
usar a “revolução nacionalista”
de 1952...
Ao contrário do que
possa parecer, a mobilização contrária às políticas neoliberais não iniciaram
no último bimestre, teve seu estopim no decorrer do ano 2000, intensificando-se
em janeiro de 2001 e culminando com a renúncia do então presidente. Hugo Banzer
alegou problemas de saúde, na verdade sofria forte pressão por ter participado
da Operação Condor, um esquema internacional de repressão política dos anos 70,
responsabilizando-o pelo desaparecimento de 200 pessoas e cerca de 3000 prisões.
Durante o ano de 2002
aprofundou-se a crise econômica, fruto dos compromissos com F.M.I e Banco
Mundial refletindo em piores condições sociais.
Como se não bastasse o multimilionário e
presidente Gonzalo Sanches de Lozada (Goni) no início de 2003 encaminhou ao
congresso um decreto que taxava em 10% os salários de todos os trabalhadores
para garantir o pagamento dos juros da dívida externa, essa medida provocou
combates sangrentos que causaram dezenas de mortes e o isolamento de Losada na
embaixada americana, não restando outra saída a não ser retirada do decreto.
Mas como a necessidade de remunerar o capital
estrangeiro é função de ser do “capitalismo boliviano”, o governo formulou o
plano da venda de gás natural aos EUA
através da empresa espanhola YPF passando pelo direito de extração e
retirada desse gás em estado bruto sem agregar valor e sem dar a menor garantia
de que essa venda serviria para diminuir o sofrimento de 70% da população que
vive abaixo da linha de pobreza.
Como se organizou a rebeldia?
A COB - Central
Operária Boliviana- decretou greve geral em 29 de setembro por tempo
indeterminado e promoveu paralisações de estradas. Apoiada por grandes
contingentes de indígenas (Ayamaras) e campesinos plantadores de coca que se
somaram aos piquetes nas estradas promovendo o desabastecimento da capital. Nas
cidades, as mobilizações foram impulsionadas por jovens e mulheres que, inclusive, iniciaram a formação de
autodefesas armadas para enfrentar a repressão que contabilizou oficialmente 80 mortos.
A renúncia de Gonzalo
Sánchez de Lozada será capaz de resolver a crise boliviana?
Somente a renúncia de
Lozada não será capaz de conter as mobilizações, pois nem se cogita realizar as
profundas reformas estruturais que a economia boliviana necessita e que fazem
parte das exigências populares. Além de que a renúncia de Lozada foi
arquitetada pelo embaixador americano na Bolívia, David Greenlee em reunião com
o ex-vice e atual presidente Carlos Mesa na tentativa de dar uma saída
constitucional á crise e evitar uma tomada efetiva de poder por parte da
população através de suas organizações
e seus vacilantes líderes.
Como parte do teatro
armado para conter a convulsão social o atual presidente assumiu publicamente
estudar as exigências elaboradas pela Coordenadoria de Defesa do Gás que são:
-Revisão da Lei de
Hidrocarburos;
-Industrialização do
gás em território nacional, para vendê-lo com valor agregado;
-Plebiscito sobre
qual porto passará o gás, e a
democratização da decisão.
Para o estado
boliviano atender essas reivindicações e promover reformas estruturais capazes
de impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento, seria necessário inverter a
lógica de relação que a Bolívia mantém com os EUA e que os bolivianos mantém
entre si, o que está infinitamente distante da capacidade e da vontade da elite
boliviana e também da vacilante posição das lideranças populares que em alguns
momentos foram obrigados a tomarem posições empurrados por sua própria base de
apoio.
Obviamente não temos
a pretensão de solucionar todas as dúvidas sobre o processo boliviano, pois
seria necessário estabelecer todas as relações que a Bolívia mantém com a
América Latina e desta última com seu papel no mercado mundial globalizado.
Aqui fica o pontapé
inicial e também o convite para discutirmos com maior profundidade o cenário
político da Bolívia e da América Latina.
Espaço socialista